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Publicado: Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quarta-feira de cinzas

Quarta-feira de cinzas

Acordou tarde, apanhou os jornais jogados na varanda, bebeu bastante água durante o dia, olhou várias vezes para a fantasia de soldado, pendurada atrás da porta do quarto, e desceu cedo para a avenida, travestido da alegria comedida no resto do ano. Protegido pela máscara, encontrou um olhar claro e brilhante em meio à multidão e não conseguiu mais controlar a excitação. Ela usava burca colorida, com as costas de fora. Ele sorriu e encarou. Ela percebeu o flerte, mas ignorou encabulada. Entre uma marchinha e outra, acabaram lado a lado. Sem som ou cerimônias, beijaram-se ofegantes. Um bloco mais exaltado se aproximou e acabou separando-os no arrastão. Ela saiu pulando e perdeu o colar, que caiu no chão espalhando as contas. Ele agachou, pegou o colar e se esticou na ponta dos pés a fim de não perdê-la de vista. Mas perdeu. No dia seguinte, visitando suas redes sociais, leu: "perdi meu colar, mas ganhei o melhor beijo da minha vida". Firmou o olhar e viu a autora: sua primeira namorada.

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Alex Pinheiro

Alex Pinheiro

Consultor em Turismo Receptivo e Turismo na Internet, exerce na literatura o seu desafio pessoal '1000 caracteres de uma história'. É colunista do jornal Taperá (Salto-Itu-Indaiatuba)

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