Colunistas

Publicado: Quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Professor não esmorece e continua sua caminhada

Todos os dias lemos e ouvimos notícias sobre Pacote da Educação, Movimentos da Educação, Manifesto da Educação e muitos outros Tra lá lá da Educação que mencionam o que deve ser feito, o que precisa ser feito e o que espera-se que se faça. Então pergunto: o quê de concreto tem sido feito para melhorar a Educação no nosso país?

Tudo o que é veementemente exaltado nos textos e nas palavras é sentido e vivido diariamente por alunos e professores que ocupam as salas de aula com goteiras, as escolas sem paredes, sem bebedouros, sem merendas, sem higiene, sem material didático, sem lousa, sem giz, sem livros, sem lápis. Porém ainda assim são freqüentadas diariamente por alunos e professores que conservam a esperança de que nem tudo está perdido. Confiam de que, quem sabe algum dia, alguém coloque em prática algum dos itens enumerados majestosamente nos textos disponibilizados através da imprensa e nas palavras ditas nos palanques dos comícios.

Nós, lavradores da Educação, nunca estivemos tão sós nessa luta. Somos cobrados, desrespeitados, criticados, ameaçados, mutilados, assassinados.
Na semana passada, setembro de 2007 saiu no Jornal de Itupeva Online – Opinião do leitor: “Alunos da escola pública colocam laxante no café dos professores. Professora tem dedo decepado por porta fechada por aluno. Alunos ateiam fogo no cabelo da professora. Carro de professor é riscado por alunos. Servidora de escola é derrubada, alunos passam por cima dela que tem os dois braços quebrados e hematomas pelo corpo. Alunos colocam cola na cadeira da professora que tem a calça rasgada e queimaduras na pele provocadas pelo produto. Diretora de escola tem carro incendiado por alunos. Alunos ficam amotinados por mais de 40 dias e destroem faculdade.
Em briga entre alunos um é morto covardemente. Difícil acreditar mas, estes foram alguns dos assuntos registrados pela imprensa nos últimos dias. De acordo com estatísticas recentes, por conta destas barbaridades, mais de 40 mil professores desistiram de lutar e se retiraram da escola publica...”

O quê foi feito a respeito? Não sabemos. Tomamos conhecimento destas barbaridades em razão deste texto publicado na OPINIÃO DO LEITOR.

Também ficamos sabendo do que aconteceu em 02 de setembro de 2007 através da matéria que saiu no Fantástico sobre uma professora de Capanema (PA) que está sendo processada por pais de alunos, porque, após inúmeras tentativas de acabar com o uso de palavras ofensivas e palavrões em sala de aula pediu às crianças que fizessem uma pesquisa sobre o significado dos palavrões. Da turma de 35 alunos, três famílias foram à Justiça contra a professora e a escola municipal. E isso virou matéria do Fantástico!

“No momento que o pai pegou aquele caderno na marra, que viu, ele logo começou a chorar constrangido. O pai rasgou o caderno dele e ele chorava mais ainda porque valia ponto, era trabalho de escola”, conta a mãe, Cléia do Espírito Santo. >(fonte Fantástico)
“Eu acho que foi um ato muito infeliz dela. Um ato impensado porque ainda não era o momento, haja vista a turma ser de criança até 11 anos de idade”, opina o delegado da Polícia Civil do Pará Samuel Alencar da Silva.” (fonte Fantástico)

Realmente não dá para entender as atitudes contraditórias. A criança usar palavrões como vocabulário cotidiano dentro da sala de aula é compreensível e aceitável. A professora querer que eles saibam o significado do palavrão que estão falando, e inaceitável! “ainda não era o momento” diz o delegado. Quando será o momento? E se todo mundo ficou tão horrorizado com os palavrões escritos no caderno é porque não é tão normal assim. Por que então não apoiar a atitude corajosa desta professora em prol de crianças conscientes e educadas? Na verdade, se elas se comportam assim na escola é porque se comportam da mesma maneira em suas casas. Concluímos então que os pais não estão cumprindo com a sua obrigação de educar e orientar. Sala de aula nunca foi lugar para palavrões, como nunca foi lugar de armas, como nunca foi lugar de perversidade, de falta de respeito, de agressividade, de assassinatos. Por se permitir que tudo isso aconteça numa sala de aula, é que o nosso ensino está tão precário e que ao invés de alunos temos marginais. Por não ter, o professor, o respaldo da família, da sociedade, da Polícia e do Estado é que vivenciamos estas barbáries cada vez mais freqüentes, e que estamos nas últimas colocações no PISA (Programa Internacional para Avaliação de Alunos).

“Um professor de Educação Física foi assassinado com dez tiros em frente à escola onde trabalha em Viana, Região da Grande Vitória, na noite de ontem. O crime seria uma retaliação contra denúncias que ele vinha fazendo sobre o uso de armas por alunos na escola. De acordo com a Polícia Civil do Estado, o professor Renato Ramos tinha uma audiência marcada no Fórum de Viana, no próximo dia 2, onde prestaria depoimento sobre a identificação de alunos que ele conhecia que levavam armas para a Escola Municipal de Ensino Fundamental Tancredo Neves, em Eldorado.
Renato estava saindo com seu carro da escola quando um grupo em outro veículo chegou atirando. Os tiros atingiram a cabeça e o pescoço da vítima. As aulas de ontem foram suspensas. Hoje também não houve expediente. O delegado chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, Cláudio Victor, não quis adiantar detalhes sobre a motivação do assassinato para não atrapalhar as investigações.”
Fonte: Agencia Estado – 25 de setembro de 2007

Será que “ainda não era o momento” de se dizer para o estudante que não se deve levar armas para a escola! E onde estão as famílias destes alunos? Onde conseguiram as armas? Ninguém sabe responder porque estão todos tão ausentes que ninguém sabe quem é quem. Agora o professor não. Este está sempre presente. Tem moradia fixa. Tem endereço certo. Tem emprego. Por isso se torna presa fácil.

Em recente e-mail recebi o desabafo de uma professora, que também foi injustiçada, e pergunta: Cadê os pais destas crianças? Não levam seus filhos à escola, eles os abandonam nas escolas e esquecem de ir buscá-los, “não lhes dão o mínim
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Cybele Meyer

Cybele Meyer

Advogada, Artista Plástica, Professora, Diretora Pedagógica, sócia fundadora da Meyer&Meyer - Construindo a Educação, Palestrante, Pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior.

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