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Publicado: Quarta-feira, 19 de maio de 2010

Porções de pensamento

Porções de pensamento
As palavras crescem e as dores da alma diminuem...

Sobre as datas comemorativas e a alienação emotiva:

A maioria das datas comemorativas representa uma oportunidade a mais de incentivo ao comércio.  Na sociedade capitalista, o capital impera os valores e justifica o dia do médico, das mães, dos pais, do professor, da criança... As datas comemorativas no discurso ganham espaço, enfeitam a retórica dos políticos e registram a tese dos teóricos. Na prática, escravizam o povo.

 

Sobre os intelectuais arrogantes:

As ideias todas estão “boiando” no universo cósmico. Elas são como a argola de uma corrente, que se fortalece e chega mais longe quando as argolas se entrelaçam. Para alcançar uma ideia é necessário elevar o pensamento e abrir a mente... Se as alcançamos, como poderemos então dizer que são nossas? O egoísmo e a vaidade são sentimentos pertencentes a pensamentos baixos e mentes mesquinhas. Sempre que agimos assim, arrebentamos a corrente e a enfraquecemos. Talvez por isso que as grandes ideias tenham sido alcançadas por “alguns poucos”, de especial personalidade e tamanho espírito.  

Sobre os educadores hipócritas:

Lembro-me com profunda indignação a primeira vez que acompanhei um educador renomado a uma viagem de trabalho. Durante o percurso, além da conversa, trocamos guloseimas embaladas por papéis que “naturalmente” foram por ele descartados pela janela do carro. Ou então, quando terminado um debate teórico sobre “qualidade de vida e saúde do planeta”, fui ao café acompanhada de uma colega de trabalho, que “tranqüilamente” jogou seu cigarro no chão e o apagou com os pés. Malditos professores: egoístas, individualistas, cansados emocionalmente. De ricas palavras e pobres gestos. De corpo presente e alma distante. 

Sobre as férias de janeiro:

O mês de janeiro é alimento da alma. Ainda que simbolicamente, uma vez que o tempo segue seu curso inexorável, finalizar um período e iniciar outro, legitima a capacidade de superação da vida humana. E o mês de janeiro sela o símbolo: é hora de recomeçar. É nele que os filhos, em férias, exercem o papel na veracidade intensa do conceito. Almoçam e jantam conosco; reclamam do banho, da chuva e insistem pelo passeio familiar. Comem pipocas, chupam sorvetes e vomitam carinho. A casa ganha barulho, bagunça e sujeira. E se enche de vida. Nesse contexto, fazemos planos, respiramos o descanso e ganhamos esperança... Acreditamos mais uma vez que para ser feliz basta estar junto. Ainda bem. Porque assim, de janeiro em janeiro, a alegria e a beleza refrescam a vida e tatuam o desejo, imenso anseio, do seu retorno...

Sobre um sonho possível:

Toda vez que a vida me entristece procuro nos livros um suspiro de alegria... Enquanto as palavras crescem as dores da alma diminuem. É no livro que me descubro forte e capaz. Reconquisto o ânimo e o desejo pela vida. Não são poucos os testemunhos de grandes personalidades reconhecendo como fórmula de sucesso as leituras realizadas ao longo da vida. O livro possibilita a força executora da ordem social. Ao invadir suas páginas, somos todos dotados de tamanha liberdade e poder. Por isso, sonho com a imagem de um Brasil - leitor: jovens conversando, nos espaços de lazer, sobre os livros que leram e os que lerão.

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Conversas Entrelinhas

Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

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