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Publicado: Quinta-feira, 29 de maio de 2014

Porcelana Chinesa

Crédito: Internet Porcelana Chinesa
Somos massa amorfa, moldados a cada dia.

“Como o barro está nas mãos do oleiro, assim estais vós em minhas mãos” (Jeremias 18,6)

 

A vida é um constante formar-se. Nascemos incompletos, nunca seremos plenos de tudo. Dia após dia seguimos nos aprimorando e aprendendo lições. Mesmo um ancião não pode possuir uma sabedoria pronta e acabada. Somos frágeis. Somos ignorantes. Temos sempre algo a aprender.

A vida não é fazer-se por si mesmo. De fato, o que sou eu sozinho? Quase nada. A auto-suficiência derruba muitas pessoas em quedas desastrosas. Que posso eu sozinho? Quase nada. É pobre quem pensa não precisar dos outros para viver. Somos como um vaso de cerâmica. Alguém já viu um vaso construir-se a si mesmo? Jamais.

Oleiro é aquele que trabalha na olaria. Diariamente suja as mãos com o barro. De seus dedos saem as formas. Aquela massa amorfa de terra ganha tamanhos e contornos diferentes. É aquecida e umedecida alternadamente. Com o tempo torna-se resistente, embora sempre frágil.

É o oleiro quem constrói o vaso. É ele quem se dedica em dar a forma. É ele quem decide o momento de levar o vaso ao forno ou de aspergir a água sobre o barro. Seus instrumentos são variados, mas o principal são suas próprias mãos. O oleiro transmite carinho para o vaso que está moldando. É um constante tocar que revela o amor pela obra.

Chegamos neste mundo como massa amorfa de barro, feitos da terra que vem do chão. Vem Deus e nos pega em suas mãos, começando a nos moldar. Ele permite que sejamos amassados, apertados, contornados, aquecidos, umidificados. Deus é o Oleiro que nos dá a forma que temos. Ele usa vários instrumentos: situações da vida, dificuldades, provações, contradições. Porém, sobretudo, utiliza suas mãos. Deus constantemente toca em nós, para nos transformar na obra que ele imagina.

As pessoas sofrem demais hoje em dia porque desejam ser como vasos que se fazem sozinhos. De massa amorfa de barro, querem ser porcelana chinesa. Tudo por si mesmas, conforme suas vontades e comodismos. E, como o vaso não se faz sozinho, essas pessoas sofrem e se frustram, revoltam-se e murmuram contra o Oleiro.

Melhor é entregar-se às mãos sábias e talentosas do Oleiro. É no coração dele que está o grande plano para cada um de nós. É de suas mãos poderosas que seremos construídos e transformados num de seus belos vasos. Que Deus nos conceda a verdadeira sabedoria para compreendermos este que é apenas um dos tantos mistérios a serem experimentados.

Amém.

 

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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