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Publicado: Sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pessoas Que Perdemos Pela Fé

Crédito: Internet Pessoas Que Perdemos Pela Fé
A vida não é saber ganhar: é saber perder.

Sempre fui católico. O que variou foi a intensidade. Nas fases da minha vida a Fé foi, até certo tempo, como um elástico: eu me aproximava ou me afastava da prática religiosa de acordo com as fases pelas quais ia passando. Acho isso natural. Todos somos construídos de fase em fase. É passando por elas que nos descobrimos realmente. É lidando com isso que fazemos nossas escolhas pessoais, profissionais, emocionais, espirituais, etc.

Tive sim uma fase de muita festa e pouca religiosidade; tive sim um tempo de muita bagunça e pouco critério; tive sim alguns momentos de muita paixão e pouco compromisso; tive sim um tempo de muita boemia e pouco sossego; tive sim uma fase de muita intensidade e pouca serenidade.

Não me martirizo, embora me arrependa de algumas atitudes passadas. Mas procuro ser compreensivo comigo mesmo. Todos os caminhos que escolhi me trouxeram para vida que tenho hoje. Talvez tenha sido necessário um tempo longe de Deus para finalmente aceitar que eu não consigo viver se não for bem perto Dele.

Hoje tenho a tremenda alegria de ser um servo do Senhor em tempo integral. Estudo, rezo e trabalho, para servir a Igreja Católica e seu povo. Faço leituras, preparo palestras, conduzo celebrações, dou conselhos, ensino a Doutrina, explico a Liturgia, proclamo o Evangelho, tento viver com intensidade a fé, a esperança e a caridade.

Perdi pessoas pelo caminho ao assumir essa minha escolha. Pessoas que preferiam o meu jeito anterior de ser: irresponsável, embora irreverente; relapso, embora camarada; inútil, embora eufórico; devasso, embora acolhedor e amigo de todas as horas...

Perdi até pessoas que me davam broncas por causa das minhas atitudes nesse tempo mais relaxado da minha existência e que, agora que estou mais centrado e convicto na Fé e na vocação, não admitem que eu tenha abraçado com tanto fervor a vida religiosa e tudo o que ela me traz em ônus e em bônus.

A vida não é saber ganhar: é saber perder. Mas há compensações. Ao abraçar minha vocação ganhei muito mais do que perdi. Jesus foi vendido por 30 moedas e perdeu um amigo apóstolo (cf. Mt 26,14-25). Mas Jesus também teve a cabeça lavada, por Maria de Betânia, com um bálsamo que custava 300 moedas e ganhou uma multidão de discípulos geração após geração (cf. Jo 12,1-8).

A vida espiritual é uma guerra. Perdemos algumas batalhas, perdemos pessoas, mas não perdemos a Fé. Essa é a parte mais importante. Por outro lado, é de se pensar: por acaso perdemos mesmo aqueles que realmente nunca tivemos conosco? O tempo dirá.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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