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Publicado: Segunda-feira, 18 de março de 2019

Patrício, O Trevo e A Couraça

Crédito: Internet Patrício, O Trevo e A Couraça
Os irlandeses não deixam que avacalhem a Fé Católica e nem a devoção ao seu Padroeiro.

Era uma vez um jovem chamado Maewyin Succat, nascido no seio de uma família católica na Bretanha do século IV. Como bom cristão, levava uma vida de trabalho e oração junto com seus familiares. Até que, aos 16 anos, foi capturado por piratas e levado para ser escravo na Irlanda. Depois de seis anos de sofrimentos e provações, conseguiu fugir e retornar à sua pátria e ao seu lar. Os tempos de escravidão não abalaram suas convicções religiosas. Muito ao contrário: resolveu tornar-se sacerdote.

De espírito forte e corajoso, adotou o nome de Patrício e (pasmem!) resolveu voltar para a terra de seu cativeiro. Estava com 40 anos quando foi para a Irlanda novamente. Seu novo nome significava “conterrâneo”, pois sentia-se um irmão dos irlandeses. Durante décadas evangelizou a Irlanda, ainda não totalmente convertida ao catolicismo. Tornou-se bispo e é reverenciado por todas as vertentes do Cristianismo existentes no planeta.

Em sua representação iconográfica, São Patrício aparece com as vestes episcopais (mitra, casula, báculo) e também com um trevo na mão. A razão é simples. Para explicar o mistério da Santíssima Trindade ao povo, o santo usava essa planta dizendo que assim era a relação entre o Deus Pai, o Deus Filho e o Deus Espírito Santo: três folhas, mas um só ramo. Essa catequese tão singela e simpática é apenas uma amostra do seu amor pela evangelização.

São Patrício tornou-se, obviamente, o santo Padroeiro da Irlanda. Por isso existe, há séculos, o “Saint Patrick’s Day” em várias partes do mundo onde estão comunidades irlandesas. A festa é tomada pela cor verde, remetendo ao trevo. O clima é bastante festivo, mas respeitoso. Os irlandeses são muito ciosos da própria fé. Nas paradas e desfiles, nas festas dentro dos pubs, apesar do largo consumo de bebidas alcóolicas (como é tradicional dos irlandeses), não permitem que a imagem do santo ou a religiosidade sejam avacalhadas.

É muito famosa e poderosa uma oração cuja autoria é atribuída ao grande padroeiro irlandês, chamada Oração da Couraça de São Patrício. A couraça é parte da vestimenta usada na era medieval pelos soldados. A oração, portanto, pede a proteção divina na luta contra os inimigos da fé. Os devotos de São Patrício, em meio aos festejos, jamais deixam de rezá-la e há mesmo quem comece o dia fazendo convictamente a oração.

Pela intercessão de São Patrício, estejamos todos preparados para a guerra contra as forças do mal e sejamos bons guerreiros de Cristo nas batalhas por um mundo melhor, mais santo, mais fraterno, mais de acordo com a Verdade que é Cristo Jesus. Por fim segue a oração que recomendamos a todos:

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, a invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da unidade
Do Criador da criação.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do nascimento de Cristo e de seu batismo,
Pela força de sua crucificação e sepultamento,
Pela força de sua ressurreição e ascensão,
Pela força de sua descida para o julgamento dos mortos.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do amor dos Querubins,
Em obediência aos Anjos,
A serviço dos Arcanjos,
Pela esperança da ressurreição e do prêmio,
Pelas orações dos Patriarcas,
Pelas previsões dos Profetas,
Pela pregação dos Apóstolos
Pela fé dos Confessores,
Pela inocência das Virgens santas,
Pelos atos dos Bem-aventurados.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do céu:
Luz do sol,
Clarão da lua,
Esplendor do fogo,
Pressa do relâmpago,
Presteza do vento,
Profundeza dos mares,
Firmeza da terra,
Solidez da rocha.

Levanto-me, neste dia que amanhece:
Que a força de Deus me dirija,
Que o poder de Deus me ampare,
Que sabedoria de Deus me guie,
Que o olhar de Deus me vigie,
Que o ouvido de Deus me ouça,
Que a palavra de Deus me faça eloquente,
Que a mão de Deus me guarde,
Que o caminho de Deus me esteja à frente,
Que o escudo de Deus me proteja,
Que o exército de Deus me defenda
Das armadilhas do demônio,
Das tentações do vício,
De todos os que me desejam mal,
Longe e perto de mim,
Agindo só ou em grupo.

Conclamo, hoje, tais forças a me protegerem contra o mal,
Contra qualquer força cruel que me ameace corpo e alma,
Contra a encantação de falsos profetas,
Contra as leis negras do paganismo,
Contra as leis falsas dos hereges,
Contra a arte da idolatria,
Contra feitiços de bruxas e magos,
Contra saberes que corrompem o corpo e a alma.

Cristo guarde-me hoje
Contra veneno, contra fogo,
Contra afogamento, contra ferimento,
Para que eu possa receber e desfrutar a recompensa.

Cristo comigo,
Cristo à minha frente,
Cristo atrás de mim,
Cristo em mim,
Cristo em baixo,
Cristo acima,
Cristo à minha direita,
Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar,
Cristo ao me sentar,
Cristo ao me levantar,

Cristo no coração de todos a quem eu falar,
Cristo na boca de todos os que me falarem,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.

Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da Unidade,
Pelo Criador da Criação.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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