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Publicado: Domingo, 12 de março de 2017

Padre Alexandre Alves Ferreira (in memoriam)

Padre Alexandre Alves Ferreira (in memoriam)
Até breve, Padre Alexandre: Tu és sacerdote pra sempre!

Para muitas pessoas ele era o "Alexandre, irmão do Zezinho". Para os irmãos, as irmãs e outros parentes, era o "Alê". Para a criançada da Família, era o "Tio Lê". Há 14 anos o povo católico passou a conhecê-lo como Padre Alexandre Alves Ferreira.

Infelizmente, para desgosto de todos, este já saudoso ser humano nos deixou na sexta-feira passada, 10 de março. Com 41 anos de idade, cumpriu sua missão terrestre e foi encontrar no colo de Deus a tão almejada paz, o tão merecido descanso, a tão justa recompensa por ter amado, pregado e vivido o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Conheci-o na nossa adolescência. Chegamos a trabalhar ao mesmo tempo na Livraria Maranatha. Era pacato, com um tom de voz baixo e doce. Esperto e de olhar atento, quando menos se esperava sacava um comentário perspicaz. Mas isso não lhe tirava uma característica típica e notória, conhecida de todos que realmente o conheceram e o amaram: tinha um jeito de criança, aquela simplicidade dos pequeninos do Reino.

Agregado à Família Francischinelli Alves Ferreira, por conta de tantos anos trabalhando e crescendo na Livraria Maranatha, tenho mesmo um amor verdadeiro por todos os seus membros. Desde aquelas crianças que vi crescer e hoje são homens e mulheres feitos, como também pelos adultos. Sempre foram referência para mim. Com o Padre Alexandre não foi diferente. Sua morte foi sentida como um grande golpe no meu coração.

Só posso agradecer a Deus por ter convivido mais com ele a partir do início deste já triste 2017. Em janeiro Padre Alexandre veio ser vigário paroquial em Jundiaí, na paróquia que fica ao lado do Seminário no qual resido. Durante uma caminhada, encontrei-o na rua. Dei-lhe um abraço de boas vindas e coloquei-me à disposição pra ajudar na mudança.

Depois, no mês de fevereiro, foi o Padre Alexandre quem me atendeu nas confissões. Ouviu-me com paciência e compreensão. Disse-me palavras consoladoras e animadoras. Deu-me a devida penitência e os conselhos necessários. Experimentei, através de suas palavras, aquela Misericórdia Divina que restaura o coração e a vocação da gente.

Alexandre tinha mesmo um coração sacerdotal: sua atuação em Itu, na Comunidade São Roque (Potiguara) e na Paróquia N.Sra. Aparecida, acolhido pelo Padre Roberto Mendes; sua presença na Paróquia São Benedito, em Salto; seu trabalho na Capelania Hospitalar São João de Deus (Santa Casa de Itu), renderam-lhe muitas amizades e muito bem querer do povo católico. São muitos os que lastimam o seu falecimento. É muita a saudade que já deixa entre nós.

Participei da sua missa de corpo presente. Foi presidida por Dom Vicente Costa (Bispo de Jundiaí) na Igreja do Bom Jesus, com a participação de 20 padres, 4 diáconos e 4 seminaristas. O povo de Deus encheu o templo, todos os bancos estavam lotados e muita gente de pé. O prefeito também compareceu, bem como os familiares e amigos, principalmente os da Renovação Carismática Católica.

Deus permitiu, porém, que a minha última lembrança do Padre Alexandre fosse uma cena com gosto de infância. Juntos numa confraternização recente, em certo momento sentamos lado a lado tomando sorvete. Era de palito e foram quatro. Quatro pra mim, quatro pra ele. Conversamos sobre cinema, sobre heróis dos quadrinhos e sobre um livro que eu estava terminando de ler. Comentamos notícias, contamos piadas, rimos juntos. Que lembrança melhor eu poderia pedir a Nosso Senhor?

O dramaturgo, poeta e escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900), que se converteu ao catolicismo nos anos finais da vida, dizia que "o segredo do amor é maior que o segredo da morte". Nós, católicos de verdade, cremos inteiramente nisso. Porque a morte é algo que pertence a este mundo terrestre. Mas, na eternidade e junto de Deus, a morte não existe mais. Somente esta certeza nos consola e não nos desespera.

Nesses momentos, de intensa e excruciante dor, nós recordamos e professamos: Morte, tu não tens a vitória! Morte, tu não és definitiva! Pois Jesus nos libertou de ti, ó Morte! E porque ninguém morre de verdade enquanto permanece vivo em nossa lembrança e principalmente no nosso coração.

Até breve, Padre Alexandre!

Tu és sacerdote pra sempre, segundo a ordem de Melquisedec!

Vá em paz e reze por nós! Reze por mim!

No nosso próximo sorvete celeste, daremos infinitas risadas!

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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