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Publicado: Segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Os Péssimos Professores

Crédito: Internet Os Péssimos Professores
Há muitos bons e ótimos professores. Mas há os péssimos também.

Não tive muitas coisas nesta vida, mas uma eu experimentei: a oportunidade de estar cercado por ótimos professores desde a minha mais tenra infância. Hiperativo por natureza, frequento instituições escolares desde os dois aninhos. Passei pela escola pública e fiz faculdades particulares. Somados, são mais de trinta anos de aprendizado. Em todas essas fases convivi com pessoas dedicadíssimas à arte de ensinar, sinceras em suas intenções e realmente preocupadas em formar pessoas decentes.

Foi uma professora quem deu jeito na minha timidez. Foi outra professora que soube entender o meu jeito de estudar. Foi um professor quem me estimulou a vislumbrar um futuro cheio de oportunidades. Foi outro professor quem me fez entender que pelo estudo qualquer carreira é possível. Foi graças aos professores que investi no jornalismo, tornando-me um formador de opinião. Foi sendo grato aos professores que decidi tornar-me um igual a eles. Se hoje somos colegas é porque fui inundado de ótimos e maravilhosos exemplos.

A realidade atual, nua e crua como sempre, nos indica que infelizmente rareiam os verdadeiros mestres, aqueles que fazem do Magistério não uma mera opção profissional, mas sim uma verdadeira missão, um tipo de apostolado, uma vocação. Muito se critica o sistema educacional brasileiro, a suposta falta de verbas para a Educação e a desvalorização do professorado como um todo. Porém, é com tristeza que devemos constatar, sem cair em generalizações, que atuam entre nós péssimos professores e professoras, seja no ensino público ou privado, desde o maternal até os cursos de mestrado. Este artigo é para esses péssimos profissionais da Educação.

Temos professores que não se importam com seus alunos. Não têm a devida paciência e a didática necessária para orientar crianças e jovens que fogem ao padrão estabelecido. Temos professores rancorosos consigo mesmos: frustrados por qualquer coisa, descontam raivosamente suas decepções nos alunos e colegas. Temos professores que, contradição das contradições, não gostam de estudar! São desatualizados sobre assuntos importantes para os alunos neste contexto em que vivemos.

Temos professores desonestos, que fingem lecionar deixando alunos fingirem aprender. Temos professores ideologicamente comprometidos que, em vez de ensinarem gramática e matemática, biologia e química, entopem a mente dos alunos com conceitos deste ou daquele regime de governo, tomando partido. Temos professores iludidos, principalmente pelas bobagens gigantescas das teorias Jean Piaget e Paulo Freire.

Pessoalmente, penso que estaríamos bem melhor com mais professores “à moda antiga”. Se nossos atuais índices de desempenho andam humilhantes, é porque grande parte do professorado esqueceu-se do que é lecionar de verdade. Um provérbio chinês diz: “Os professores abrem a porta mas você precisa entrar sozinho”. Hoje, infelizmente, por causa de péssimos professores, estes não abrem a porta, eles são a porta: com seu despreparo e seu desamor pela missão de formar pessoas decentes, impedem o acesso de muitos à verdadeira Educação.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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