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Publicado: Quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ônibus em Itu: uma vergonha gigante!

Ônibus em Itu: uma vergonha gigante!
Ache um usuário satisfeito com os ônibus em Itu!

Talvez não seja problema seu. Talvez você tenha seu automóvel ou motocicleta. Talvez você apenas ande de bicicleta ou mesmo a pé. Mas o que passam os usuários de transporte coletivo em Itu é das coisas mais tristes em nossa cidade, algo que faz esta terra continuar com a pecha de “atrasada” em certos aspectos.

Graças ao bom Deus, me locomovo mais a pé. Adoro andar, tenho saúde e disposição pra isso. Mas não posso negar que as falhas do transporte coletivo em Itu me motivam em grande parte a utilizar as pernas em vez de passar pelas catracas dos ônibus.

Vamos brincar de elencar os problemas? Vou escalar apenas cinco: 1) horários irregulares de linhas; 2) número insuficiente de ônibus; 3) passagem muito cara; 4) falta de terminais municipais, 5) falta de vontade política.

1) É quase impossível saber o horário dos ônibus na cidade. Não o horário das tabelas e planilhas, mas sim o horário real. Em dias da semana é normal passar meia hora parado no ponto aguardando. Num domingo, então, pode sentar: os ônibus passam quando bem entendem. Esta semana entrei em um, num dia útil, perguntando ao motorista: “Quais os horários desta linha?”. Ao que ele me respondeu: “Ah, não sei... Estou cobrindo a falta de um colega e não faço este trajeto regularmente”.

2) É mais do que flagrante que em Itu temos ônibus insuficientes. Basta conferir a lotação dos mesmos na hora do rush (expressão americana com a qual se convencionou chamar os picos de maior movimento no trânsito). Se você sabe que, em determinados horários do dia, há movimento maior de passageiros... não seria óbvio ter veículos para suprir essa demanda? Tenho a impressão de que em Itu isso não acontece. Entre uma cotovelada e um empurrão dentro do ônibus quente, a opinião que mais vale é de quem paga a passagem.

3)Itu tem uma das passagens mais caras da região, se comparada à qualidade do serviço prestado em nossa cidade. Não vamos nos comparar com Campinas, que é quase metrópole. E nem com a vizinha Salto, que é muito parecida conosco. Mas na outra vizinha Sorocaba, o preço da passagem é menor do que a de Itu. E lá os usuários contam com um eficiente sistema de interligação entre vários terminais rodoviários, com a possibilidade de pagamento de apenas uma tarifa para as chamadas baldeações. E isso em ônibus sempre novinhos, alguns até com ar-condicionado.

4) Uma grande conquista ituana foi ter conseguido a construção do terminal de ônibus do bairro Cidade Nova. Sem dúvida os moradores da região ganharam muito com isso, já que eram também a parcela de ituanos que mais sofria com o transporte precário. Porém, outros pontos do município também precisam de terminais: o Centro, a região do bairro São Judas e a região do bairro Itaim, por exemplo.

5) Por último, falta vontade política. Afinal, políticos não usam ônibus diariamente. O transporte urbano em nossa cidade é uma concessão municipal que ultrapassa décadas. A concessão é para apenas uma empresa, que detém um monopólio. Não há pressão alguma para a melhoria do serviço e a passagem de ônibus só não subirá em março de 2012 porque é ano eleitoral. Porque daí sim, se fará algum tipo de pressão política. Até lá, passageiros continuam sendo quase igual a gado.

SOLUÇÃO: Os usuários de transporte coletivo em Itu precisam se manifestar, mas já não creio tanto nessa vontade de mobilização de um povo que está mais conformado em se acostumar do que a conhecer e exigir seus direitos, bem como conhecer e cumprir seus deveres. Nossos nobres alcaides, em meio a tantos embates e debates verdadeiramente inúteis na Câmara Municipal, deveriam ocupar-se desses e outros assuntos realmente importantes para o cotidiano dos que residem em Itu, em vez de pensar apenas no próximo mandato.

P.S.: E isso porque nem comentei o problema dos usuários com necessidades especiais, como cadeirantes e deficientes visuais...

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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