Colunistas

Publicado: Segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Onde está a Dona Bela?

Viúva, aposentada, três filhos casados morando em outras cidades, D. Bela vivia sozinha.
 
Alguns dias antes do Natal, Fábio, o filho mais novo telefonou convidando-a para passar o Natal com ele.
- No Ano Bom vamos nos reunir na casa do Raul (outro filho). Você poderia passar o Natal conosco e no dia trinta e um, iríamos todos para lá.
- Não, filho! Este ano eu vou ficar aqui na minha casa. Vou às festas da Igreja e depois vou descansar, dormir cedo...
- Você é que sabe...
 
O filho não insistiu. A mãe não se dava muito bem com as noras e estas também não gostavam muito dela. Sempre que se reuniam havia desentendimentos, queixas, diz que diz...
No fundo, todos achavam até melhor que ela não viesse mesmo.
 
Na noite de Natal, Fábio telefonou para a Mãe no começo da noite e ela não atendeu. Achou que ela devia estar na Igreja e não se preocupou com isso.
 
Bem mais tarde, Miguel, o outro irmão, ligou para cumprimenta-lo e comentou que acabara de ligar para a Mãe e ela não atendera. Imaginaram que ela tivesse resolvido ir passar a noite de festas com alguma amiga, e ficaram tranqüilos.
 
Só no dia seguinte começaram a se preocupar quando Raul telefonou dizendo que, de manhã, também ligara e ela não atendera.
 
Onde estaria? Por que não ligara para nenhum dos filhos na noite de Natal?
 
Resolveram ligar na casa vizinha à dela e pedir para ver se ela estava em casa.
O vizinho voltou informando que ela não atendeu a campainha e que o carro dela não estava na garagem.
 
Aflitos, resolveram ir até lá, abrir a casa e ver o que estava acontecendo.
Foram os três.
 
A casa estava em ordem. Telefonaram para todas as pessoas conhecidas da cidade, mas ninguém sabia dela.
 
Obviamente, ela saíra com o carro, mas, para onde teria ido? O que teria acontecido?
 
Resolveram ir à polícia. Não sabiam o número da chapa do carro da Mãe, mas, não havia registro de nenhum acidente na região que pudesse ter sido com ela.
 
A preocupação era cada vez maior. Teria acontecido algo que não fora descoberto? Um assalto? Um seqüestro?
 
Remexeram a casa toda a procura de uma pista.
Além da preocupação, do medo, uma ponta de remorso. Como não sabiam nada da Mãe! Não sabiam quem eram suas amigas, quais os lugares que freqüentava nem quem eram seus fornecedores. Nada!
 
A polícia divulgou o desaparecimento. Mais um nome naquela listona que nunca resolve nada.
 
No terceiro dia de buscas, suposições e desespero encontraram uma carteirinha com o nome de um escritório de despachante.
 
Foram até lá e souberam que alguns dias antes do Natal ela tinha vendido o carro. Estivera lá para regularizar a documentação.
 
Resolveram procurar a pessoa que comprara o carro. Quem sabe, em conversa, ela tivesse contado onde pretendia ir.
 
A surpresa não podia ser maior. O homem contou que ela disse que ia vender o carro para levantar o dinheiro e fazer uma viagem para a Inglaterra.
 
Foram a todas as agências de viagem da cidade para saber se ela participara de alguma excursão, comprara alguma passagem ou coisa assim, mas nada descobriram. Ela não tinha estado em nenhuma delas.
 
Desesperados os três irmãos não sabiam mais o que fazer. 
 
Miguel:
- Será que nossa Mãe está ficando louca? 
Fábio:
- Tudo bem que ela faça uma viagem, mas podia ter nos avisado.
Raul:
- Eu acho que agora é melhor a gente voltar pra casa e esperar.
 
Mas não ficaram sossegados. Aquilo lhes parecia muito estranho. Não era próprio da Mãe fazer uma coisa dessas. Sentiam que havia alguma coisa errada em tudo aquilo, mas não atinavam com o que poderia ser.
 
Comemoraram juntos, conforme o planejado, a passagem do ano, num clima de alegria forçada, o assunto Mamãe não lhes saia da cabeça e a toda a hora vinha à tona.
 
Um procurava tranqüilizar o outro, mas ninguém estava tranqüilo.
- Ela já volta. Não tem dinheiro para ficar muito tempo por lá.
 
O tempo passava e, nada da dona Bela! O telefone de sua casa continuava mudo.
 
No dia 15 de janeiro era o aniversário do Raulzinho, filho do Raul, mas ele não queria nem ouvir falar em comemorações.
 
A nora, Celina, queria fazer uma festa, alegando que não era justo privar uma criança de sua festa de aniversário, mas o Raul foi inflexível, disse que não suportaria um bando de crianças na sua casa, no estado de espírito que estava.
 
Depois de alguns amuos, ela acabou concordando com ele.
 
Mas...
 
Qual não foi a surpresa de todos quando, no dia do aniversário, parou a frente da casa um carro novinho em folha e dele desceu, nada mais nada menos, que a
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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