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Publicado: Segunda-feira, 22 de junho de 2009

O sexto sentido

O Papai viúvo tenta contar aos filhos adolescentes que vai casar-se novamente:
- Ela é uma boa moça. Vocês vão gostar dela. Chama-se Celeste.
- Oh! Celeste! Deve ser um anjo! Marcelo brada ironicamente balançando os braços como se fossem asas.
 
Alice engole em seco. Tem vontade de dizer um bando, mas não diz nada. Elisa fica olhando para o pai meio abobada como se não tivesse assimilado bem o que ele disse. O pai ignora a ironia do filho e o silêncio das filhas e continua:
- Ela estará no lugar de sua mãe...
 
Alice grita:
- No lugar de minha mãe NÃO!!! Você pode ter esquecido dela, mas nós não esquecemos!
- Está bem, vocês podem pensar o que quiserem, mas eu exijo que a respeitem.
-?!
-?!!
-?!!!
- E quando será a festança, pergunta o Marcelo sem abandonar seu tom irônico.
- Bem... Nós resolvemos ficar juntos algum tempo... e ... Se tudo der certo... A gente casa depois... Amanhã mesmo a trarei para casa...
- Oh! Lá! Lá!!! Que moderninho está se saindo o meu paizinho!!!
- Olha o respeito, garoto!
- Desculpe, mas isto esta me parecendo a melhor piada que já ouvi.
 
Mais uma vez Alice engole sua revolta:
- Queria ver se fosse um de nós que inventasse uma coisa dessas se ele ia aprovar!
 
Mas diz apenas:
- Você vai se arrepender! Essa mulher não vale nada!
- Como pode dizer uma coisa dessas se nem sequer a conhece?
- Sexto sentido, Papai!
- Sexto sentido! Era só o que me faltava!
 
Elisa resolve contemporizar:
- Está bem, Papai! Tudo o que queremos é que você seja muito feliz!
 
E assim, entre raios e trovoadas, a pobre Celeste veio morar com o namorado e seus três pentelhos.
 
Alice, a cada dia que passava mais se implicava com a madrasta, vigiava-lhe os passos e descobria falsidade em todas as suas atitudes.
 
Marcelo divertia-se com a situação e provocava a irmã:
- Você viu os dois pombinhos se despedindo no portão?
- Uma pouca vergonha! Com a Mamãe ele nunca teve tantos dengos.
- Isto é o que nós não sabemos, não assistimos a lua de mel deles. Depois de vinte anos as coisas se modificam mesmo.
- E o pior de tudo é a decepção que ele vai ter vocês vão ver!
 
Elisa resolve manifestar-se:
- Eu acho que devíamos ser mais cordatos. Afinal ela está sendo muito boazinha. Até agora não fez nada que nos prejudicasse.
- Mas ela ainda vai mostrar as garras! Vocês vão ver!
- Como pode saber isso?
- É um sexto sentido!
 
Depois de alguns meses de tumultuada convivência, o Papai precisou viajar a serviço e passou uma noite fora.
 
De madrugada os meninos acordaram com os gritos da madrasta. Correram ao quarto dela e a encontraram sendo dominada por um bandido que a ameaçava com um revolver.
 
Mais dois meliantes, também armados, obrigaram o Marcelo a abrir o cofre onde havia uma elevada quantia em dólar e libras, as jóias da família e mais alguns objetos valiosos.
 
Tudo foi afanado e ainda cataram pela casa tudo que encontraram de valor, pediram a chave do carro e saíram levando a Celeste e avisando que a matariam caso eles chamassem a polícia.
 
Os três ficaram atônitos:
- Que fazer?
- Antes de mais nada, chamar o pai, é claro.
 
Alice queria telefonar imediatamente para a polícia, mas Marcelo a impediu:
- Você ouviu o que eles disseram. Vamos esperar o Papai.
- Você é um bobo mesmo! Não viu que ela estava de parceria com os ladrões?
- Isto também é demais! Você não pode estar pensando uma coisa dessas!
- Pois vocês vão ver! Eu sabia que isso ia acabar mal. Meu sexto sentido nunca me engana.
 
No dia seguinte, na polícia, Alice fala:
- Eu sei que ela estava de parceria com os ladrões.
 
O pai intervém:
- Veja o que está falando! Isto é muito grave!
 
O policial ordena:
- Deixe que ela diga o que pensa. A gente sabe que conclusões tirar depois.
 
Sentindo-se apoiada Alice desabafou:
- Eu já sabia que ela não era grande coisa, só não sabia que era ladra...
- E como é que sabia?
- Sexto sentido! O senhor não acredita em sexto sentido?
- Humm!! Sei lá! Mas continue, diga tudo o que sabe.
- Quando ouvimos seu grito e corremos ao quarto ela me parecia muito à vontade agar
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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