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Publicado: Segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Senhor das Tempestades

Jesus adorava falar aos discípulos usando parábolas, definidas em qualquer dicionário como uma “narrativa alegórica que transmite uma mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia”. De fato, o termo vem do grego “parabole”, que significa “comparação” ou “semelhança”. Trata-se de uma forma criativa e inteligente de prender a atenção de qualquer pessoa, que acaba curiosa em saber o desfecho da estória em si.

 

Na Bíblia encontramos diversas parábolas, é fácil lembrar de muitas. Achamos também várias passagens reais da vida de Jesus e seus discípulos, ocorridas há mais de dois mil anos. Infelizmente, alguns ditos “sábios” insistem em reduzir certos fatos narrados no Evangelho a simples “estorinhas”. Inventam uma série de simbologias quando, na verdade, o que aconteceu foi a mais pura verdade.

 

Um exemplo disso é o famoso trecho no qual Jesus anda sobre as águas. Há quem diga que isso não ocorreu de verdade, que foi apenas um recurso que o autor encontrou de passar uma mensagem aos leitores. Pura balela. Se na Bíblia está escrito que o Mestre andou sobre as águas, é porque aconteceu de fato. Pode-se até fazer outras comparações e releituras, mas isso não deve diminuir o fato, que em si foi um milagre e prova da divindade de Cristo.

 

Gosto muito de um trecho do Evangelho em particular, que não é uma parábola. Ele ilustra muito bem as idéias expostas acima: um fato real a partir do qual podemos fazer analogias, aprender e crescer na fé. Trata-se do que nos é contado no Evangelho segundo São Mateus, capítulo 8, dos versículos 23 a 27.

 

Conta esta passagem, que Jesus subiu em um barco. Os discípulos subiram com ele. No meio da travessia, uma grande tempestade passou a agitar o lago. Era tamanha, que as ondas faziam as águas invadir o barco. Espantados, os discípulos temiam o pior e perceberam que o Jovem de Nazaré dormia tranqüilamente.

 

Os seguidores de Jesus aproximaram-se dele e o acordaram. Disseram, um tanto quanto bravos: “Senhor! Nós vamos morrer! Veja a tempestade! Olhe essas ondas, as águas! Nós vamos morrer afogados!”. E com aquela cara de sono, o Filho do Homem respondeu: “Por qual razão vocês estão com tanto medo? Onde está a fé de vocês? Será ela tão pequena assim, menor do que eu imagino?”.

 

Levantando-se contrariado, afinal estava em um belo de um cochilo, Jesus esbravejou com o vento e as ondas: “Quietos, vocês! Longe daqui! Cessem agora mesmo!”. E em seguida tudo ficou calmo. Notem: não se passaram horas, minutos sequer. Foi no mesmo instante que a tempestade cessou e por isso mesmo o espanto dos discípulos, que comentavam entre si: “Quem é este que manda até no vento e nas ondas?”.

 

Por que gosto desta passagem bíblica? Porque ela aconteceu de verdade e nós temos a graça de conhecê-la, mesmo tendo acontecido há mais de dois mil anos. E também porque ela nos inspira uma grande lição, que é não temer as forças do mundo que se impõem sobre nós. Os verdadeiros discípulos de Jesus não têm medo de ondas, ventos e tempestades.

 

Geralmente, quando um imprevisto aparece diante de nós, ficamos temerosos. Qualquer emergência nos preocupa exageradamente. Então nos vemos desesperados, dirigindo preces alarmantes a Deus, aos santos, à Virgem Maria e a Jesus Cristo. Nem nos recordamos do que este último nos ensina a respeito de confiar em sua Providência.

 

Fazendo uma analogia, Jesus está no mesmo barco conosco. Pois se estamos com ele na prática da fé e na freqüência aos mandamentos, temos a certeza de que Cristo está conosco. Se ele está conosco, nada será contra nós. Enfim, se o barco em que estamos afundasse, Cristo teria de afundar conosco. E como é impossível a qualquer outra “força” no universo ser maior do que a força que vem de Deus, estamos mais do que seguros.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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