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Publicado: Sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O que falta para Itu?

É justo festejar e continuar exaltando as qualidades da nossa gente, os feitos de vários ituanos e ituanas ilustres, assim como as diversas passagens históricas nas quais ituanos de gerações passadas tiveram papel fundamental. Mas não há como celebrar o quarto centenário de fundação da nossa cidade sem fazer o questionamento do título acima.

Hoje posso classificar a cidade de Itu como uma cidade “boa” para se viver. Temos um comércio intenso, um parque industrial consolidado, uma infraestrutura básica na maior parte da cidade. Temos um povo em sua grande parte ordeiro e trabalhador, como a maioria dos brasileiros. Temos uma classe intelectual e religiosa sempre dispostas a conclamar os cidadãos a participarem de suas atividades culturais e cerimônias de culto.

O clima de festa não pode, entretanto, servir como peneira tentando ocultar o sol. Chegar aos 400 anos de fundação deve ser um marco histórico para que a cidade chegue a outro patamar. É o momento de a sociedade e suas instituições estabelecidas, de acordo com as necessidades do povo e a capacidade de nossos dirigentes, pensarem em estratégias para tornar Itu uma cidade cada vez melhor.

A primeira iniciativa é deixar de lado o trauma de ex-cidade importante, com papel de destaque na história do país dos séculos XVII ao XIX. Isso não significa abandonar nosso legado histórico e tampouco desvalorizar nossa cidade. Porém, o passado já passou. É preciso pensar o futuro para que nossa terra seja novamente gloriosa como outrora.

Itu precisa preparar-se de fato para sua entrada no século 21. Deve descobrir novas vocações a fim de suprir as necessidades da população, principalmente quanto ao emprego. Ano após ano, mais jovens trabalhadores somam-se aos que já se encontram no mercado de trabalho. É preciso garantir o direito ao emprego, para que todos ganhem o seu pão de cada dia.

Em quatro séculos de história, temos a vantagem de que ao menos um fato não mudou: Itu continua situada em um ponto estratégico do Estado de São Paulo. Continuamos bem no meio das rotas de passagem das principais cidades paulistas, desde a capital até Campinas, Jundiaí e Sorocaba, assim como de suas cidades periféricas.

É preciso ampliar nosso parque industrial, que já é considerável, mas tem condições de se expandir. É preciso atrair empresas do setor de serviços, que são as que mais empregam atualmente. É preciso deixar de lado o comércio meramente exploratório e passar a competir comercialmente com as cidades vizinhas, atraindo consumidores de outras localidades.

É preciso que nossa elite, nossa classe dominante, nossos governantes, nossos pensadores e intelectuais, criem programas culturais e esportivos a fim de que possamos descobrir novos talentos, inclusive nas artes da política. Somente assim teremos um novo Almeida Júnior, um novo maestro Tristão, um novo Regente Feijó, um novo Prudente de Morais.

Reitero aqui as necessidades que nosso povo continua tendo. Há pontos favelizados em torno da cidade, com pessoas sem acesso ao saneamento básico, creches e escolas, postos de saúde, segurança pública ou transporte. Temos os problemas dos moradores de rua, das crianças marginalizadas e dos idosos abandonados por suas famílias.

Outro ponto de honra para a cidade é a construção definitiva de um Paço Municipal. Seria um grande passo, com perdão do trocadilho. Como pode uma cidade com quatro séculos de história ainda não ter sua sede própria? Particularmente, acho vexaminoso.

Precisamos ainda de uma nova rodoviária municipal, maior e melhor localizada em relação aos acessos de entrada e saída da cidade. Precisamos de um grande terminal de ônibus urbano na região central e em alguns bairros, a exemplo dos que existem nas localidades vizinhas.

Precisamos implantar definitivamente alguns calçadões comerciais no centro de Itu, renovando-o e assim melhorando o fluxo de pessoas e automóveis. Precisamos que nossos políticos deixem de lado as rivalidades e corram atrás de verbas estaduais e federais para o nosso município, ações bem mais úteis, inclusive na hora de pedir votos ao eleitorado.

Assim como eu, milhares de ituanos e ituanos sabem de cor e salteado as razões pelas quais amamos a nossa cidade. Itu já é grande, mas pode ser maior ainda. É isso o que falta. É essa meta que devemos prosseguir.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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