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Publicado: Terça-feira, 23 de agosto de 2011

O pior dia de nossas vidas

O pior dia de nossas vidas
Dias melhores virão. E os piores também

A frase é batida, mas recordar é preciso. Quem não recorda, não relembra. Não revive. Não sente novamente o sabor das experiências passadas. Não quer dizer que sejam experiências boas. Podem ser experiências ruins. E se fazemos questão de lembrar sempre dos ótimos dias, no fundo tememos saber qual foi o pior dia de nossas vidas.

O pior dia talvez seja aquele da ida ao hospital, numa quase parada cardíaca. Ou então aquele em que se prendeu um dos dedos na porta do carro. Talvez o pior dia seja aquele em que perdemos um ente querido ou pode ser ainda o que terminamos um relacionamento de muitos e muitos anos.

O pior dia de nossas vidas pode ter sido o de ver a separação dos pais sem poder fazer nada. Ou então aquele em que fomos reprovados na escola ou demitidos. O pior dia pode ser aquele da goteira em cima da cama ou então quando nos percebemos privados da companhia de qualquer amizade, totalmente sozinhos.

Quem sabe o pior dia seja o da descoberta do fracasso financeiro ou então aquele em que magoamos alguém que amamos muito. O pior dia de nossas vidas talvez seja aquele em que experimentamos a angústia das incertezas da vida ou ainda o que passa sem nos mostrar um sinal sequer de esperança.

O pior dia de nossas vidas aparece, mas vai embora. Se não há bem que sempre dure, também não há mal que nunca acabe. E depois de um tempo ele reaparece, lembrando-nos como é terrível um dia realmente horrível a marcar nossas histórias.

Depois de tantos anos, acabamos constatando que tivemos muitos destes ditos dias piores de nossas vidas. E que, afinal, não foram tão piores assim. Se dias melhores virão, dias piores virão também. Podem ter certeza. Mas nem por isso a aventura da vida perde sua graça. Afinal, estamos todos aqui respirando. Lutando e sobrevivendo. À espera de dias melhores. E de dias piores.

Assim será até o dia das nossas mortes, este sim o pior dia de nossas vidas. Mas será mesmo? Quem sabe? Pois se até a Morte tem dias ruins, como saber quantos dias melhores (e piores) teremos depois de passar por ela? Não há como saber. Só há como viver. Um dia de cada vez. Seja ele o melhor ou pior dia de nossas vidas.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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