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Publicado: Sábado, 13 de fevereiro de 2016

O menino torto

Crédito: Domínio Público O menino torto

 

O HOMEM GRANDE E FAMOSO FALAVA como menino dos seus feitos de infância. Não sobre o destaque em alguma disciplina escolar. Contava sobre fracassos, e do futuro profetizado por algum professor: – Ele vai dar em nada....

Era o típico aluno que desliga da aula e viaja, sabe-se lá para onde. As notas? Sempre abaixo da média. A família judia e tradicional pressionava por um melhor desempenho, que não veio.

Já adolescente escolheu o Jornalismo porque - segundo ele - era a faculdade que menos candidatos tinha por vaga. Simples assim.

Sentada na plateia entre centenas de professores, me lembrei das dezenas de projetos sociais e educacionais desenvolvidos por ele e dos vários títulos publicados, que garantiram, muitas vezes, o sucesso das minhas aulas: Meninas da Noite, Cidadão de Papel, Aprendiz do Futuro...

Comparei o profissional de currículo premiado que eu via com os relatos, e pensei assombrada:– Como é que o menino "torto" deu tão certo?

Nem ele sabia direito. Disse que em algum momento do percurso, algo lhe despertou o interesse e ele foi atrás para saber; e nunca mais parou.

Gilberto Dimenstein – o homem grande e famoso - ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores no País: Prêmio Nacional de Direitos Humanos, Prêmio Criança e Paz do Unicef e muitos outros.

Com “Cidadão de Papel”, obteve uma premiação inédita para um livro educativo, considerado, em 1994, pelo júri do Prêmio Jabuti, a melhor obra de não-ficção. Foi durante 28 anos colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo.

É palestrante e suas palestras versam sobre educação, novas habilidades do profissional do futuro, tecnologias aplicadas à educação e responsabilidade social. É idealizador do importante site Catraca Livre.

Tudo indica que o menino Dimenstein não era "torto". Talvez torta fosse a ótica daquele tempo e – pior ainda – a de hoje, que insiste em rotular e descartar os "tortos".

Despertar o interesse do aluno diferenciado – aquele "fora dos padrões desejados" – que desliga, fala demais, se rebela ou é "desajustado", é entregar-lhe a chave que poderá abrir as portas da sua realização pessoal.

Quem disse que é fácil?

O Magistério não é um sacerdócio, ou a curva do rio onde aportam os rejeitos. É uma profissão que, como todas as outras, requer competência para se chegar ao sucesso.

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História & Cotidiano

Katia Auvray

Katia Auvray

Historiadora e escritora. Autora dos livros "Cidade dos Esquecidos - A vida dos hansenianos num antigo leprosário do Brasil" e da coleção infanto-juvenil "Magia da História", sobre a história da cidade de Salto/SP. Também é Mestre Reiki.

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