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Publicado: Segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O Leandro e o Luã

Um dia, Leandro, passando por uma loja de venda de pequenos animais, viu um cachorrinho lindo em exposição;
Parou e brincou com ele.
 
O bichinho sacudiu o rabinho e sorriu, um sorriso canino que encantou o garoto.
- Você vai ser meu. Vou tirar o dinheiro do meu cofre e comprar você para mim.
 
Vou lhe chamar de Luã.
O dono da loja aproximou-se. Com seu faro comercial, viu no menino bem vestido, parecendo mimado, um provável freguês:
- Compre mesmo. Este cachorro é de uma raça muito rara, tem excelente pedigree, é muito inteligente e amoroso. Você vai gostar muito dele.
- E quanto é que ele custa?
- Mil reais.
- Mil reais? É muito caro! Eu não tenho tanto dinheiro assim no meu cofre.
- Não é caro. Qualquer brinquedo custa mais do que isso. Sem contar que quando ele crescer você pode cruzar e ganhar dinheiro com ele. Peça ao seu pai. Garanto que ele compra para você.
 
Leandro falou com o pai, mas este não se entusiasmou nem um pouco com a idéia de comprar um cachorro.
- Cachorro, a gente ganha, não compra. Tem tanta gente doando filhotes, tanto cãozinho abandonado.
- Mas eu não quero qualquer cachorro, quero o Luã.
 
A mãe interveio:
- Nada de cachorro! Esses bichos só servem para dar trabalho e criar problemas.
- É, Leandro! Antes de arranjar um cachorro. você precisa convencer sua mãe...
 
O menino começou a passar todos os dias pela loja para ver o cãozinho brincar um pouco com ele e, às vezes, dar um dedo de prosa com o proprietário, seu Manuel, que cada vez mais, o animava a convencer os pais de que sua compra seria um excelente negócio.
 
Mas o pai continuava irredutível. Se ele arranjasse um cachorro de graça e dobrasse a mãe, tudo bem. Mas, não queria brigar com a mulher por causa disso.
O tempo foi passando, o Luã estava crescendo e o dono foi ficando preocupado porque um cachorro adulto é mais difícil de vender e aquele espécime representava um investimento que precisava desempatar.
 
Resolveu baixar o preço. Quinhentos reais! Preço de custo, só para não perder tudo.
 
Quando Leandro viu isso ficou animado. Quem sabe agora, mais barato, o pai resolvia comprar? Mas não foi feliz na nova investida. Nem o pai queria comprar, nem a mãe concordava em recebê-lo caso ele conseguisse sensibilizar o pai.
 
Continuou por mais algum tempo a visitá-lo diariamente na loja. Sentia quase como se fosse seu, pois o bichinho já o conhecia e ficava todo agitado quando chegava e assobiava para ele.
 
Até que, um dia, quando adentrou a loja viu o cercadinho do Luã vazio. Sentiu um aperto no coração e, antes mesmo que o Seu Manuel contasse, adivinhou o que havia acontecido: Ele fora vendido.
 
Leandro não conseguiu conter as lágrimas e Seu Manuel ficou muito penalizado, mas, o que podia fazer? Ele era um comerciante e o cachorro estava ali para ser vendido...
- Mas, quem foi que comprou?
- Uma mulher, para a filhinha, uma menina loura de cabelos compridos.
 
Não sabia o nome, muito menos o endereço.
- Por que não perguntou? Se eu soubesse onde ele estava podia passar por lá para vê-lo, nem que fosse só de longe. Mas, como é que vou achar na cidade inteira essa menina loura de cabelos compridos?
- Olhe, eu acho melhor você esquecer isso. Não é bom apegar-se demais a coisas que não são nossas.
 
Leandro ficou muito tempo tristonho. No fundo de seu coraçãozinho, agigantou-se uma mágoa contra os pais que, achava ele, não o amavam, nunca davam nada que ele queria.
 
Primeiro foi o irmãozinho que tanto ele quis e nunca chegou e, agora, um simples cachorro que todo mundo tem, só ele não podia ter.
 
Que inveja da menina loura de cabelos compridos! Ela sim tinha uma boa mãe que lhe fazia as vontades.
 
Por que será que Deus lhe dera pais tão ruins?
Mas, acabou se conformando, como se conformara com a falta do irmãozinho que tanto desejara.
 
Um dia, porém, meses depois, ele passava por uma casa quando, de repente, ouviu uns latidos e voltando-se viu o Luã pulando na grade como se quisesse cumprimentá-lo alegremente, como velhos amigos que há tempos não se vêem.
 
Passou a mão pela grade e acariciou a cabeça peluda do animal que carinhosamente passou-lhe a língua no mais autêntico beijo canino.
 
E então ouviu uma voz irritada:
- Fritz! Já para o fundo, seu bicho danado!
 
O Luã não deu atenção e o Leandro sorriu para ele:
- Então, você agora se chama Fritz? Não atenda por esse nome. Garanto que gosta mais de Luã que lhe dei quando você era bem pequenino.
 
D. Estela aproximou-se e, vendo o menino, resolveu desabafar com ele:
- Esse cachorro maldito, me dá um trabalho danado. Arrependi de tê-lo comprado para a Julinha. Ela enjoou dele, não quer mais cuidar e eu é que fiquei com a amolação.
- Eu conheço ele desde pequenino. Pedi tan
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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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