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Publicado: Segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O fantasma apaixonado

O dia foi maravilhoso, a cerimônia emocionante, a festa linda, tudo perfeito e... Enfim sós!

Max e eu nos dirigimos á cabana no alto de uma serra que alugáramos para a lua de mel, plenos de felicidade, felicidade esta que foi bruscamente interrompida quando o carro despencou num precipício.

--Vamos morrer! Devo ter gritado, mas depois disso não vi mais nada. Acordei num quarto de hospital e a primeira coisa que me ocorreu foi:

-- E o Max? Como será que ele está? Será que ele morreu?

Tudo a minha volta era estranho, tentava lembrar os pormenores do acidente e não conseguia. Quis gritar, chamar pelo Max. Onde ele estaria? Por que eu estava tão só naquele lugar?

De repente avistei o Max e tive a certeza. Ele morrera e aquele era o seu fantasma! Ele desapareceu tão repentinamente como chegara e eu fiquei chamando desesperadamente por ele

Nunca me preocupara muito com o sobrenatural, mas lembrava de ter ouvido dizer que quando estamos enfraquecidas temos mais facilidade de nos comunicar com o além. Será?

Com dificuldade levantei-me e sai à rua a procura do fantasma do meu marido. Pude vê-lo muitas vezes, na rua, na igreja, na loja onde ele trabalhava. Seu fantasma estava sempre nos lugares que frequentáramos e eu sentia que ainda estávamos muito ligados, como se ele estivesse vivo, como se nada houvesse acontecido.

Fui até a nossa casa onde nem chegáramos a morar, e agora? Que faria? Estava tão confusa que não conseguia coordenar as ideias.

E assim, não sei dizer por quanto tempo fiquei andando ao léu com um único objetivo, ver o fantasma do Max.

Até que um dia o vi acompanhado de uma mulher. Uma rival? Seria ela uma “anja”? Será que agora ele também era um anjo e estava muito distante de mim, em outro plano, vivendo outra vida, amando outra mulher?

A ideia me chocou e, de repente percebi que ele não era um fantasma. Era um homem em pleno vigor da mocidade, namorando uma bela mulher, tentando refazer sua vida.

A verdade caiu como um raio sobre mim

O fantasma era eu! Eu é que tinha morrido!

Será que o Max conseguia me ver?

Nunca o saberia, mas sabia agora que minha vida e a dele não estavam mais ligadas e que eu não tinha o direito de perturbá-lo.

E então fui encaminhada para o lugar onde devia estar desde o dia do acidente assumindo uma nova fase de minha existência.

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Escritora amadora, apelidada carinhosamente de bisavó blogueira. Vive em Sorocaba.

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