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Publicado: Sábado, 17 de março de 2007

O Elevador da Vida

O Elevador da Vida
Até a década de 1950 eles eram mais comuns. Hoje são raros, persistem em existir apenas em alguns edifícios mais tradicionais ou daqueles que comportam grandes firmas e escritórios. Estou falando do ascensorista, aquele funcionário encarregado de operar o elevador e dar mais comodidade a seus usuários.
 
Hoje percebemos as tecnologias que fazem parte de um elevador. É tão simples e no toque de um botão somos levados ao andar que desejamos. Tão fácil que qualquer criança usa sem problemas. Sendo assim, para que um ascensorista? Ei-lo sumido, quase extinto da lista de profissões.
 
No princípio da história dos elevadores, não era assim. Nas décadas de 20, 30 e 40 do século passado, sem componentes eletrônicos ou computadorizados, os elevadores eram puramente mecânicos. Operados à base de alavancas, necessitava de pessoas com capacitação para operá-lo. Do verbo “ascender”, sinônimo de “subir”, surgiu então o ascensorista, porque ajudava os usuários a subirem até os andares que precisavam.
 
Há uma frase corrente entre os ascensoristas, que principalmente hoje correm o risco de serem extintos e, como a grande maioria dos trabalhadores brasileiros, ganha um salário muito abaixo do necessário. Afirma o tal ditado que, entre todos os tipos de profissionais, os ascensoristas são os que estão mais acostumados com “os altos e baixos da vida”. Uma hora se está lá em cima e no minuto seguinte volta-se lá para baixo. É uma forma bem humorada de falar do ofício.
 
A brincadeira tem uma grande verdade embutida. A vida é mesma cheia de altos e baixos (e agora já não estou mais falando de altura). Em um momento tudo vai bem, as coisas dão muito certo. Tempos depois tudo vira de cabeça para baixo e nem sequer lembramos como as coisas puderam se transformar tanto. Não há nada de surpreendente, a vida é assim mesmo. Ninguém vive num constante mar de rosas. A existência é cheia de conflitos e nem sempre estamos suficientemente preparados para enfrentá-los.
 
O fundamental é não se deixar levar pelo desânimo. Afinal, é facílimo ser otimista quando tudo está bem. O desafio é manter o otimismo diante das dificuldades. Pode parecer difícil. E é mesmo. Entretanto trata-se da atitude que nos irá fazer superar as coisas ruins e negativas da vida. É o modo que temos para não ceder ao que nos impede momentaneamente de viver a felicidade.
 
Jesus pode ter em nossas vidas o mesmo papel que tem o ascensorista no elevador. Se o céu fosse um terraço, o Mestre certamente nos ajudaria a subir cada um dos andares da existência humana, a fim de que chegássemos no último andar. O elevador da vida é complicado, nem sempre sabemos fazer funcionar sozinho. Muito pelo contrário: às vezes o que mais fazemos é descer e descer andares, regredindo.
 
Se estivermos abertos a Cristo, deixando que transforme a nossa vida, a história pode mudar. No contato com a Bíblia e com os ensinamentos do Evangelho, na oração diária e na perseverança, na comunhão e na confiança em Deus, podemos recomeçar sempre que quisermos, por mais graves que tenham sido os nossos erros passados. E então começamos novamente a subir andares, aproximando-nos do Pai.
 
Olhe bem para o mostrador que indica o andar da vida em que você está. Será que está subindo ou descendo? Será que está apenas estacionado, sem subir ou descer? Será que você está sabendo operar os mecanismos que irão te levar ao último andar? Ou está se deixando confundir pela aparente complexidade da vida?
 
Seja qual for o seu caso, é indispensável a presença de Jesus. Ele nos dará tudo o que for preciso para que possamos subir cada vez mais. Sem dúvida, ninguém sabe mais sobre nossas vidas do que o Filho de Deus. Somente o Cristo sabe o que fazer para que não fiquemos estacionados num andar só o resto da vida ou para que desçamos andares e mais andares. Eis um tipo de “ascensorista” que nunca pode faltar no elevador da nossa vida.
 

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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