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Publicado: Domingo, 16 de agosto de 2009

O direito ao envelhecimento

O direito ao envelhecimento
O tempo ensina os sentimentos mais nobres da vida

Tolerância no dicionário Aurélio quer dizer “tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos”. Na vida cotidiana, tolerância é um sentimento desenvolvido às duras penas, num exercício constante de auto-conhecimento.
 
Para que possamos tolerar forças externas, devemos aprender a tolerar forças internas. E isso não é fácil. Em determinados aspectos se faz necessário o exercício de toda uma vida. Por isso, na sociedade oriental, maturidade é sinônimo de sabedoria: o tempo ensina os sentimentos mais nobres da vida humana.
 
Quem passar pela vida sem aprender a lição, não saberá seu valor.
 
Difícil é aprender a lição num país de valores medíocres, onde a mídia dita o padrão comportamental e a cultura estética. Supervaloriza o jovem e descarta o velho. Referencia o que é belo e o que é feio, exigindo das pessoas “o” corpo perfeito, sem importar a idade que têm.
 
A pressão é tanta, que envelhecer num país como o Brasil sem nunca ter feito uma plástica no rosto ou uma lipoaspiração na barriga significa assumir-se diferente. E rejeitado...
 
Por isso, as palavras que tecem esse debate querem denunciar uma das piores intolerâncias da nossa cultura: o direito por envelhecer naturalmente.
 
Parece exagero?
 
A foto estampada na Revista Veja da milionária suíça Jocelyn Wildenstein, comprova o que digo e nos assusta. Um rosto deformado e mutilado pelas plásticas em séries revela a angústia de uma mulher de 62 anos por manter-se eternamente jovem.
 
Recentemente, um famoso cirurgião plástico, já idoso e com o rosto todo marcado pelos sinais do tempo, foi questionado por uma jovem jornalista pelo fato de nunca ter feito uma plástica no seu próprio corpo. Ao que o doutor surpreendentemente respondeu: “As plásticas existem para quem não se tolera!”
 
(...)
 
A rejeição ao envelhecimento e a escravidão à beleza padronizada são comportamentos de intolerância que devemos denunciar. Como diz Lya Luft, “uma maturidade tranqüila e uma velhice elegante são mil vezes preferíveis à caricaturas em que nos tornamos na busca da juventude eterna”
 
A educação precisa levantar essa bandeira para ensinar aos jovens que envelhecer é mais do que engordar o corpo e marcar o rosto com rugas. É também amadurecer a mente, o sentimento e o coração. E ganhar a licença de (re)fazer seu mundo.

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Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

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