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Publicado: Sexta-feira, 19 de abril de 2019

O Cristo Largado, Jogado e Abandonado: Por Você!

Crédito: Internet O Cristo Largado, Jogado e Abandonado: Por Você!
Na prática, na Sexta-Feira da Paixão o Cristo fica largado, jogado e abandonado por muita gente. Alguns ficam ao pé da cruz, mas a maioria foge.

Na Sexta-Feira Santa, também chamada de Sexta-Feira da Paixão, milhões de católicos em todo o planeta participam das celebrações litúrgicas que remetem à Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Acompanham com tristeza cada passo doloroso do Mestre rumo ao Calvário e choram com sinceridade diante do Cristo esmagado por nossa culpa, por causa dos nossos inúmeros pecados.

Para uma outra grande multidão, nada disso importa. A Sexta-Feira Santa é apenas um feriado prolongado, no qual vale tudo. Para quê recolhimento silencioso? Vamos ouvir um pagode! Para quê jejum e abstinência? Vamos fazer um churrasco! Para quê ir à igreja, meditar e rezar? Vamos pegar a estrada!

A hipocrisia no mundo anda em alta, cada vez mais alta. Não bastasse ser hipócrita com muita gente, há quem consiga ser bastante hipócrita em relação a Deus também. Há quem diz ter Deus no coração e que diz rezar; há quem faça os ouvidos de Deus de pinico, despejando inúmeros pedidos infundados e reclamações fúteis; há quem diz estar “nas mãos de Deus”, mas...

A verdade é que grande parte das pessoas, a maior parte, infelizmente, deixa Deus a ver navios na hora do “vamovê”. Quando chega o ponto alto da fé cristã, que é a Semana Santa, desaparece. Usam mil desculpas, das mais esfarrapadas, na tentativa de justificar esse abandono, sem saber que nem sempre o que justifica, explica.

Pois numa era na qual o ser humano tenta ser “deus”, nós católicos celebramos um Deus que desejou ser humano. E não desejou pouco, não. Desejou “ardentemente”. Um Deus que se encarnou, que tem nome e rosto, que não vacilou um milésimo de segundo na hora de se colocar na cruz no nosso lugar.

Já pensou se fizesse parte da religião católica a obrigação de sermos crucificados para imitar perfeitamente o Mestre? Quantos de nós (a começar por mim, talvez?) fugiriam desesperadamente da cruz e da fé? Justamente sabendo da dificuldade da nossa covardia é que Deus não nos obriga a isso.

Com seu Filho, porém, a história foi outra. O Pai pediu e Jesus quis, sim, de livre e espontânea vontade, entregar-se na cruz por cada um de nós, de uma vez por todas, para nos livrar de todos os nossos pecados. O peso das nossas faltas caiu todo sobre Ele e, mesmo assim, muita gente ingrata sequer é capaz de reconhecer esse sacrifício do Nazareno por nós.

Essa gente insensível é incapaz de reconhecer tal Mistério da nossa Fé. São pessoas que dizem uma coisa e fazem outra. Na prática, na Sexta-Feira da Paixão o Cristo fica largado, jogado e abandonado por muita gente. Alguns ficam ao pé da cruz, mas a maioria foge.

Nessas horas fico a pensar com que moral esses infiéis (pois quem é fiel fica perto do Mestre nessas horas) têm depois a coragem de continuar pedindo a Jesus certas coisas comezinhas do seu cotidiano... Fingem que nada aconteceu, esquecem que abandonaram o Cristo na cruz. E depois, com aquela cara deslavada, ficam a mimizar: “Ai Jesus, isso... Ai Jesus, aquilo...”.

Realmente é necessária muita Misericórdia da parte de Deus Pai, pois são muitos os que não sabem o que fazem...

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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