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Publicado: Segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

No Escurinho do Cinema

No Escurinho do Cinema
Como são as ironias da vida... Vivemos ocupados demais e não nos sobra tempo para fazer o que queremos. Entretanto, quando nos vemos com tempo sobrando não sabemos o que fazer com ele. Esse é um dilema que às vezes sou obrigado a resolver. Seja por uma folga rotineira, um compromisso de trabalho desmarcado ou em finais de semana.
 
Recentemente me vi com alguns dias de férias, período ótimo para recompor as energias para os meses que estão por vir. Algumas atitudes são previsíveis: dormir mais tarde, acordar menos cedo, assistir televisão depois do almoço, caminhar despreocupadamente por aí, passar mais de uma hora lendo sem interrupções, trocar e-mails com os amigos e amigas com menos pressa, fazer visitas, limpar o armário pra jogar papéis velhos, etc.
 
Num dia desses resolvi ir ao cinema. Queria ver o novo filme do James Bond, antes que saísse de cartaz. “Cassino Royale” é bom, pra quem gosta do gênero e do personagem principal. Me aproximei do guichê para comprar o ingresso e a atendente me avisou: “Olha moço... Até agora só vendi entrada para você...”. Perguntei se havia algum risco de o filme não ser exibido naquele horário. Explico: eram 15 horas de uma segunda-feira... Acho que poucos conseguem ser liberados pelo patrão para ir ao cinema nesse horário...
 
Estava de férias, afinal. Era meu direito ir ver um filme a hora que desejasse. A funcionária disse que não havia problema algum. “É que algumas pessoas não gostam de assistir o filme sozinhas no cinema... E depois eu não posso devolver o dinheiro”. Respondi que não me importava. Se assisto filmes sozinho em casa, qual seria a diferença em fazer o mesmo ali?
 
Não fiquei totalmente só. Algumas balas, refrigerantes e a tradicional pipoca me acompanharam. Por incrível que pareça, o mais difícil mesmo foi escolher um lugar para sentar. Com tantos assentos vazios, demorei pra escolher um deles. Decidi ficar bem no meio da enorme sala. Quando o filme começa, nem se percebe se há mais alguém ali no escurinho do cinema.
 
Foi a segunda vez que isso aconteceu comigo. Na ocasião anterior, vi uma ficção de terror e suspense, também sozinho no cinema. Concordo que foi mais incômodo, porém não menos divertido. Nessas horas a gente nem lembra se há mais alguém ali conosco, a telona brilhante e o filme em cartaz tomam toda a nossa atenção.
 
Sim, faltou alguma coisa. Quem vai ao cinema acompanhado tem algumas vantagens. Principalmente na hora de trocar idéias sobre o filme assistido e de compartilhar as impressões sobre o mesmo. Desde a invenção do cinema, a “sétima arte” deixou de ser apenas uma inovação tecnológica para transformar-se em uma indústria de entretenimento em nível mundial.
 
Apesar da chegada dos videocassetes e aparelhos de DVD, apesar da ingrata batalha contra o sub-mundo da pirataria, ir ao cinema é o programa rotineiro de milhões de pessoas em todo o mundo. Milhares de filmes são produzidos anualmente e exibidos em salas de cinema dos cinco continentes, gerando uma receita de bilhões de dólares em bilheterias, contratos publicitários e produtos licenciados.
 
O importante é que, seja para pessoas acompanhadas ou sozinhas, o cinema esteja à disposição do público. E que todos possam ter sua diversão garantida quando desejarem assistir algum bom filme.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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