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Publicado: Sábado, 17 de maio de 2014

Mulher Objeto, Quase Um Dejeto

Crédito: Internet Mulher Objeto, Quase Um Dejeto
De objeto a mulher passou a dejeto: basta ver como a tratam.

O título é forte, mas justificável. Infelizmente, assim são tratadas muitas mulheres nos dias de hoje. Na busca válida de tantos direitos e oportunidades, a mulher viu-se em novas situações e novas propostas que nem sempre colaboraram para a sua dignidade.

No começo pareceu até sexy aquela conversa sobre “mulher objeto”. Vinha na mesma linha da “femme fatale”, partes de uma ideologia que, dentro da idéia da emancipação sexual feminina, pretendia ajudar a mulher a se descobrir, a ser mais independente em termos de sexo.

A moda era quebrar tabus. Mas nem sempre se fazia a distinção entre preconceito e tradição. Como um vândalo de porrete em punho numa loja de porcelanas, começou a quebradeira geral. Valores foram destruídos em nome de uma pretensa liberdade. São palavras bem diferentes: liberdade, liberalidade, libertinagem.

A independência em termos de comportamento, levou as mulheres a jogar fora muitos conceitos sobre si mesmas. Não passou muito tempo e viram-se reféns de uma ideologia. Quem decidisse nadar contra a corrente era fraca, dependente e conformada. O negócio estava mais em ser a Geni do Chico Buarque do que a Amélia de Mario Lago.

Teve início um processo de “coisificação” da mulher, enfim alçada (ou rebaixada?) à função de objeto. Nessa linha de pensamento, a mulher seria objeto de prazer e comodidade masculinas. Serviria como objeto sexual e também para lavar roupas e louças, cuidar das crianças, limpar e arrumar a casa, etc.

Que independência foi essa? Ao tirar da mulher valores próprios de sua feminilidade, tal ideologia tornou-as ainda mais infelizes. Mudou o senhor do engenho, mas elas continuaram escravizadas. É triste ver que, ainda hoje, após tantas mudanças na sociedade, há mulheres sendo tratadas como objeto por seus namorados, noivos e maridos.

Pior do que as mulheres que se conformam ou não se reconhecem nesta situação, são aquelas que gostam de fazer este papel. Não sabem o que fazem consigo mesmas e correm o risco de um amargo arrependimento, sempre traduzido numa sensação inquietante de infelicidade.

De objeto a mulher passou a dejeto. Basta ver como tratam as mulheres vítimas da prostituição, das drogas e da miséria. São seres descartáveis, de nada servem. Os olhares se desviam delas e o melhor seria mandá-las descarga abaixo.

É triste. É cruel. Mas é assim. Está diante de nossos olhos todos os dias, atingindo muitas pessoas. É mais uma questão para encarar na luta de reconquista da dignidade da mulher.

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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