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Publicado: Domingo, 1 de abril de 2012

Montanha ou depressão: o que você vê?

Crédito: A Mulher no Espelho - Pablo Picasso Montanha ou depressão: o que você vê?
Educar é enxergar o potencial, jamais a falta...

Acredito na vida e nas pessoas. Por isso penso que devemos olhar para frente, sempre; encarar mudanças com otimismo e lutar pela conquista dos sonhos, sem perder a esperança.  Sei que não é um exercício fácil, mas a prática pode nos ensinar a adotar esse comportamento como padrão mental e com ele, conduzir ações pessoais e profissionais. 

É claro que isso não garante felicidade.  Em muitas situações corremos o risco de parecer um tanto ingênuo, inocente...  Presa fácil demais; entende?  Ainda assim, devemos arriscar. Especialistas da saúde mental são unânimes em dizer que esse é o comportamento indicado para nos manter vivos, motivados e significantes. E eu acrescento: esse é também o comportamento indicado para se tornar EDUCADOR.

Sim, educador. Defendo o olhar invertido como técnica profissional. Um educador deve criar condições para enxergar longe, estabelecer e manter altas expectativas de comportamento.  Saber olhar o horizonte e ver a montanha e não a depressão... Enxergar as possibilidades, o potencial e o desejo; jamais a falta e a impotência. 

Poesia demais? De forma alguma, por isso explico. Poesia não tem explicação.

A falta deprime, desanima, paralisa.  Olhar o aluno com o diagnóstico do que ele não sabe é decretar fracasso e determinar destinos.  Mas usar o mesmo diagnóstico para enxergar largo, saber onde se pode chegar e com isso planejar e mediar aprendizagens é garantir sucesso e, muito possivelmente, transformar destinos. 

Aliás, esse é o fio condutor das experiências educacionais exitosas. E elas existem, podem ter certeza!  A nossa dificuldade em reconhecê-las é prova de que o nosso olhar continua a enxergar o vazio, o buraco, a depressão... sem perceber a  montanha nos chamando a ampliar os horizontes. Basta acompanhar a reação de uma boa parte de profissionais da educação frente a novas propostas de ensino ou a relatos de casos de sucesso.  “Ah, mas isso eu já fiz e não deu certo” ou “Isso não dá certo na minha realidade”: são frases prontas, defensivas e paralisantes, usadas com muita frequência em respostas às tentativas de mudanças.  

Não faz muito tempo, o educador norte americano, Doug Lemov, lançou o livro “Aula Nota 10”, revelando 49 técnicas para auxiliar o professor na sala de aula. O livro é resultado de anos de pesquisa no Projeto das Escolas Charter dos Estados Unidos, famoso por garantir excelência nos resultados de aprendizagem dos alunos advindos de comunidades carentes; alguns de extrema pobreza. O projeto vem sendo objeto de atenção de estudiosos do mundo todo porque conseguiu destruir a certeza fácil de que aluno pobre, oriundo de família desestruturada não consegue aprender. E fez isso reinventando o processo de capacitação docente, concentrando-se naquilo que obtém resultados reais em sala de aulas reais. 

Os estudos que tenho feito sobre o projeto ratifica o que defendo e muitas vezes, neste espaço, publicado.  Educador tem que inverter seu olhar e escalar a montanha para alcançar resultados de aprendizagem; e isso, nas pesquisas de Lemov, significa: criar altas expectativas de aprendizagens para todos os alunos, sem escapatória e sem desculpas.

Parece difícil? Sim; muito!  Mas para quem de fato deseja honrar a profissão que escolheu, todos os caminhos são difíceis. Fácil é deitar na rede e esperar a vida passar!!!

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Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

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