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Publicado: Sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Marcas ituanas, civismo e religiosidade

Ainda se está em meio aos efeitos da comemoração dos 401 anos da cidade de Itu, ocorrida no dia 2 de fevereiro.

A propósito, dia 6, ocorre a segunda edição do evento “Letras & Música”, esta, específica da mesma forma para exaltação desta terra no seu aniversário. Promoção em que a Academia Ituana de Letras se encontra com a Banda União, no concerto e, pelos seus membros, faz a apresentação dos números musicais.

Oportuno então também um breve comentário dos entusiásticos festejos dos últimos dias, a começar das homenagens à padroeira, a Senhora das Luzes, sempre a iluminar e acompanhar os passos da gente ituana. Na semana anterior, já acontecera a celebração da missa na língua italiana, uma tradição que se firma de vez, presidida justamente por sua Excelência Reverendíssima, Dom Vicente Costa, ele justamente natural da Ilha de Malta. Também no contexto das comemorações religiosas, bem ao espírito do povo local, cumpre ressaltar o brilho da procissão luminosa, a pontilhar pequenas centelhas nos logradouros de seu percurso.

Ganhou relevante destaque, de outra feita, a conspícua vigília cívica, que à noite e na véspera percorreu a rua Paula Souza, a partir do ponto dito indicador da fundação da cidade, defronte a Igreja do Bom Jesus, até chegar a uma nova concentração e final na praça Padre Miguel. No trajeto, com representação a rigor, de trajes, passos, interpretação e música, alusivos a épocas que remontavam os primórdios da Roma Brasileira, que fora Fidelíssima ao Império e ao depois constituinte na busca da República, sem marcas todavia de qualquer contradição, eis que cada uma natural e consequente às mutações políticas e históricas.

Especial homenagem, veio mediante bem elaborado encarte no formato de revista, iniciativa do Jornal Periscópio, edição de terça, dia primeiro. Homenageou Itu na pessoa de seus mestres, a começar da capa numa feliz ilustração com o semblante deles, num conjunto saudoso. Permitisse o espaço, seriam de novo alinhados aqui seus nomes, eis que muitos dos ituanos vivos os tiveram por mestres nas diversas escolas. Valeu a feliz iniciativa, plenamente e sem reparo, mesmo a se saber que a plêiade de ituanos e não ituanos que mourejaram no ensino é deveras extensa.

Vem à mente explicitar a excelente ocasião que ao longo dos anos vai-se perdendo, pois cada um deles já deveria estar eternizado em estátuas ou monumentos nas muitas praças do centro e dos arredores. A vida ensina, aqui e fora do país muito mais, que o registro imorredouro dos méritos de um cidadão de nomeada se celebra acima de tudo pela imagem exposta permanentemente ao público. Itu, ao contrário de muitas cidades até bem menores e a despeito do seu repositório histórico - cultural, político e religioso - é paupérrima nesse particular.

Compareceu também com registro sério, de uma revista que instrui, encanta e se posiciona quando necessário, a Regional, número 94, deste fevereiro. No seu editorial, todos os meses uma página de primeira linha, o Editor responsável tece encômios a Itu, muito merecidamente, em vários aspectos. Lembra o inestimável tesouro ecológico representado pela maravilhosa Estrada Parque, mas recomenda atenção para o que chama de descuido para com o que sobra do inestimável patrimônio arquitetônico desta que, como recordou, fora um tempo citada como a Ouro Preto paulista. Ah, o Beco do Fuxico que, de estreito, permitia aos transeuntes saudação audível de uma calçada a outra. Na metade superior da página 51, a revista aponta os prédios a demandar atenção imediata. Resíduo mínimo de mais de quarenta edificações antigas que a picareta inclemente ou incêndios de origem duvidosa trouxeram a rés do chão. Na metade inferior, alguns dos muitos sobrados e casas que só ituanos da idade provecta ou próxima dela chegaram a conhecer. Olhe-se a foto, por exemplo, do imponente Convento das Mercês, que compunha notabilíssimo conjunto com os fronteiriços Colégio e Igreja do Patrocínio. Um esquina portentosa na rua e praça do mesmo nome. 

Jornais, revistas e solenidades, comemoraram e exaltaram os bravos de outrora e cumpriram o seu papel de registro e alerta. Mas para muitos moradores logo depois as ocupações do dia a dia levam-nos a olvidar os textos. E tais lembranças podem simplesmente passar.

Daí a convicção de que as esculturas sejam uma contribuição a mais para que não haja esquecimento de quem viveu, alma e corpo, dedicado a Itu.

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