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Publicado: Sábado, 21 de maio de 2016

Maranhão, o Deputado

Crédito: Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados Maranhão, o Deputado

 

Com o presidente interino da Câmara dos Deputados ainda fazendo manchetes nos jornais e noticiários, nada como um singelo cordel para contar um pouco da estória dessa figura pitoresca - quase surreal - que (infelizmente) bem retrata e reflete a política brasileira.

(Sextetos de sete sílabas)
(Rimas: ABABAB)

 

Uma vez um deputado
Se chamava Maranhão
Estava num canto sentado
Como que em contemplação
De repente foi chamado
Para um mais alto escalão.

Ficou muito é assustado
Com a nova situação
Sempre foi subordinado
Sem querer virou chefão
Não estava preparado
Pra enfrentar esse rojão.

Mas não é que o deputado
Na primeira ocasião
Presidindo o colegiado
Deixou perplexa a nação
Decidiu, fez tudo errado
Meteu o pé pela mão.

Revogou o já citado
Processo de aceitação
Do impedimento aprovado
Pela casa de arrastão -
Presidente do Senado
Desdenhou de prontidão.

O alvoroço foi tremendo
Das elites ao povão
Havia gente correndo
Sem saber a direção
Só diziam "não entendo"
"Sai daí, ô meu irmão!"

Numa sinuca de bico,
O que vai fazer, então?
Não sabe se diz "eu fico"
ou se pede demissão
Após tanto mexirico
Desmandou a decisão.

Foi assim mesmo um vexame
Toda essa situação
Companheiros como enxame
Exigiram com razão
Demandaram num exame
"Não atenda votação!"

Foi-se então investigar
O que fez o cidadão
Além de parlamentar
Se fez mais burilação
Eis que está a se encontrar
Em mais uma confusão.

É no estado do Sarney
Serve como indicação
Se isso é bom eu já nem sei
Deu que teve atuação
Com um pé fora da lei
Nas bandas do Maranhão.

É que o homem é doutor
Formado na faculdade
E meteu-se a professor
Em uma universidade
Só que "esperto" esse senhor
Nunca foi lá de verdade.

Por aí não vai parar
Essa investigação
Muita água vai rolar
Nos rios desse sertão
Tem família a complicar
Há trambiques do filhão.

E com isso a vida vai
O povo em contemplação
Para ver se o homem sai
Não deu essa indicação
Nem se dá se a casa cai
Quer largar o osso, não!


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É Tempo de Poesia

George Gimenes

George Gimenes

Formado em Engenharia Elétrica pela Unicamp, poeta por vocação, publica online no "Recanto das Letras" e em seu blog "O Engenheiro Que Virou Poeta". Possui também publicações em livro solo e em antologias. Natural de Itu, reside com sua esposa no Canadá.

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