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Publicado: Sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Manual da Má Condução

Os bons conselhos de trânsito dos manuais não funcionam. É o que percebemos no cotidiano. A prática da má direção vale para todos, de ciclistas a caminhoneiros. Apresento o que talvez seja o primeiro “Manual da Má Condução” de que se tem notícia, a fim de normatizar todas as barbeiragens existentes em nossas ruas e rodovias.
 
Cinto de Segurança? Pra quê?
Inventado para dar mais segurança ao motorista e passageiros, o cinto de segurança é na verdade um incômodo. De que adianta passar aquela bela camisa antes de sair, se no carro o cinto vai amassá-la toda? Sem dizer que, caso ele esteja um pouco empoeirado e a camisa seja branca, deixará você semelhante a um torcedor do Vasco da Gama. Pouco importam as estatísticas, afirmando que 70% dos acidentes de trânsito com vítima acontecem no perímetro urbano. O cinto de segurança somente nos cola ao banco do carro, causando imenso desconforto com o suor nas costas.
 
A indecisão das setas
Um dos motivos que mais causam acidentes de trânsito é o uso das setas para indicar a direção do motorista. O grande problema é que nem todos vão para o mesmo lado. Uns vão para a esquerda, outros insistem em ir para a direita. Isso demonstra a falta de unidade do ser humano. O uso das setas confunde vários motoristas, por não se lembrarem que a esquerda é aquele lado no qual temos o relógio no braço. Não é raro que, ao trocar o relógio de braço, alguns motoristas tenham suas capacidades sensoriais invertidas, resultando em grande confusão. Para solucionar esse problema, vai uma dica simples: use as setas às terças e quintas-feiras. No sábado, é opcional.
 
Buzinar: eis a questão
Como suportar um congestionamento tendo à sua frente um potente instrumento canalizador de som? Sim, estamos falando da buzina. Em quais circunstâncias usá-la? Os politicamente corretos afirmam que a buzina é sinal de má educação. Nada mais errado. Se a buzina vem de fábrica, é para ser usada. E não só em caso de um acidente iminente, pois então se revelará supérflua. Se você for mesmo colidir com outro veículo, por acaso a buzina impedirá? Claro que não. Portanto, utilize esse acessório sonoro o quanto quiser, seja o original de fábrica ou aquele com o refrão de “La Cucaracha”, bela canção tradicional mexicana. Nos congestionamentos e semáforos, porém, cabe um conselho. Nunca buzine por mais de três minutos ininterruptos: pode estragar a buzina.
 
Direita, volver!
Faça como a maioria e ultrapasse pela direita. Se há dois lados na via pública, por que usar apenas uma delas para isso? Principalmente se algum canhoto estiver guiando a 30 Km/h no lado esquerdo. Por se tratar de manobra muito corriqueira, o uso das setas é dispensável.
 
Vermelho: pare! Será?
A curiosidade move o ser humano e também os motoristas. Principalmente em horários mais tranqüilos, alguns se perguntam como proceder diante do semáforo. Em uma rua deserta, às três da madrugada, deve-se parar no sinal vermelho? Claro que não! E isso vale até mesmo para o período diurno e na hora do rush, com seus congestionamentos. O semáforo é apenas uma sugestão. O motorista pode ir enfiando vagarosamente seu veículo esquina adentro, a fim de perceber se consegue furar o semáforo sem ser atingido por um carro conduzido irresponsavelmente. Agora, um detalhe: o sinal verde é só seu, passe e os outros que se cuidem.
 
Álcool e volante
Estatísticas mostram que 30% dos acidentes de trânsito com vítimas fatais foram causados por pessoas embriagadas. Isso significa que os outros 70% de acidentes foram causados por pessoas que não beberam. Concluímos, então, que os bêbados dirigem melhor. Beba à vontade antes de dirigir. Mas ao perceber a duplicação da Floriano Peixoto ou ser ultrapassado por gnomos de patinete, encoste o veículo (o uso da seta é opcional nesses casos) e tire um cochilo com o rádio ligado no último volume.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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