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Publicado: Segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Mais uma de amor

Nos conhecemos logo na infância. Ainda hoje recordo as primeiras impressões que tive sobre você. Simpática, amiga, bonita. Parecia o começo de uma grande e intensa amizade.

E foi mesmo. Aos poucos acostumei-me com a sua presença. Nas poucas vezes que me ausentava, pensava em você e como seria vê-la novamente quando regressasse. Que alegria quando eu a via depois de alguns dias de ausência!

Aprendi a amar suas qualidades e a respeitar as nossas diferenças. Conheci e lidei com todos os seus defeitos. Tentei compreende-los, como um bom amigo.

Não houve como evitar o estreitamento dessa nossa amizade. Você acompanhou os principais momentos da minha vida. Os tombos de bicicleta. As crises de sarampo, catapora e caxumba. Os dias sufocantes dos ataques de asma. As chineladas de papai e mamãe por conta de alguma molecagem...

Partilhamos também momentos alegres. As boas notas na escola. As amizades com o pessoal do bairro. As festas de fim de ano. O primeiro beijo. As primeiras namoradinhas...

Você se tornou a minha grande confidente. Quantas vezes me consolou nas desilusões amorosas! Quanto tempo passou ouvindo meus sonhos, construindo esperanças comigo e soluçando em conjunto quando a dor era intensa demais e as lágrimas brotavam dos olhos!

Não me surpreendeu a descoberta que fiz algum tempo atrás. Aquele sentimento amigo, enraizado em meu coração, ganhou corpo. Atingiu dimensões que eu mesmo não esperava. Hoje posso dizer que entre nós existe mais do que uma amizade. É isso e mais companheirismo, um querer bem sem necessidade de explicação.

Sei que você não pode ser exclusivamente minha. Muitas outras pessoas também querem o benefício de estar contigo. Pensei várias vezes em me distanciar. Partir para outro lugar, bem longe, onde eu pudesse construir minha vida. Porém, percebi que isso não adiantaria nada. Você já está por demais arraigada na minha mente e no meu coração. É parte dos meus pensamentos e dos meus sentimentos.

Não há como negar. Acho que estou sentindo o amor em minhas veias. Ou melhor, estou certo de que vivo contigo um caso amoroso, embora nunca tenha feito qualquer declaração. Mas não são assim os apaixonados? Falam com os olhos, escutam com o coração e esperam uma eternidade, se preciso for, por um lampejo de felicidade.

Não há como esconder tamanho sentimento. Não há porque impedir que tal emoção se manifeste. Por isso quero tornar público, através destas mal escritas linhas, o meu amor por você: hoje e sempre.

ITU, EU TE AMO! Você pode não ser a melhor cidade para alguns, mas é a cidade que cativou o meu coração. Parabéns por seus 395 anos. E que Deus possa nos manter juntos por muito tempo ainda. Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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