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Publicado: Segunda-feira, 22 de outubro de 2018

JP2

Crédito: Arquivo Pessoal JP2
Cresci sob a égide de JP2, graças a Deus!

Estou no meu quinto Papa. Graças ao ano em que nasci, no século passado. Em 1978 tivemos três: Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II. Depois vieram Bento XVI e Francisco, que permanecem firmes e fortes, o primeiro já emérito e o atual em atividade.

Cresci sob a égide de João Paulo II, um homem verdadeiramente santo e que recordamos hoje com muita saudade. Na minha tenra infância acompanhei pela televisão a primeira visita de JP2 ao Brasil, em 1980. Durante toda a minha primeira juventude estava ele, sempre com um gesto ou palavras a nos orientar.

João Paulo II foi para nós, jovens católicos, muito mal comparadamente, o que são ícones como Silvio Santos, Renato Aragão e Pelé. Aquela personagem pública tão conhecida e tão querida que até parece um parente nosso. De fato, os conselhos de JP2 sempre me acompanharam na juventude. Ele abriu meus olhos para a vida e a minha alma para Deus.

Certa vez, disseram sobre Jesus: “Pode vir algo de bom de Nazaré?”. Também disseram sobre Wojtyla: “Como pode um Papa polonês?”. Poisé. Ele foi o primeiro e, até agora, o único. Um Santo Padre na melhor acepção do termo. Um ser humano, guiado por Deus, para mudar o mundo.

Três vezes JP2 esteve no Brasil. E que carinho tinha por esta nossa terra! Chegou a dizer: “Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca!”, uma vez que o Rio de Janeiro ainda é o nosso maior cartão postal para o mundo.

Nós, brasileiros, compartilhamos com JP2 o grande amor pela Mãe de Jesus, Maria de Nazaré. Ao ser escolhido Papa, ele determinou como lema do seu pontificado o conhecido “Totus Tuus” que significa “Todo teu”, uma verdadeira entrega à intercessão constante de Nossa Senhora.

João Paulo II foi um homem. Foi um santo. Foi um profeta de seu tempo. Foi alguém que influenciou positivamente a História da nossa tão insana humanidade. Viveu os valores do Evangelho e nos ensinou a lutar contra a verdadeira opressão. Foi um arauto contra o Comunismo, pois o experimentou na pele. Foi contra a “luta de classes”, contra o “feminismo”, contra tudo o que opõe um ser humano a outro por questões político-ideológicas.

JP2 foi a Cuba? Foi. E por que foi? Para dizer na cara de Fidel Castro umas verdades que só a Igreja Católica poderia falar. JP2 foi à Nicarágua? Foi. E por que foi? Para dizer a certos rebeldes que a Teologia da Libertação não era condizente com a Verdade deixada por Cristo na Igreja, algo que somente um homem corajosamente ousado poderia fazer.

A maioria das pessoas, católicas ou não, lembram dos gestos e palavras fofinhas deste nosso saudoso Papa. Eu, não. Eu me lembro de tudo. Tudo mesmo. Eu cresci sob a égide de JP2. Se sou o que sou, devo muito a esse santo homem. Meu único desejo, como discípulo de Cristo, é abraçar com amor a cruz até o fim, igualzinho ele fez.

São João Paulo II, rogai por nós! E dai-nos coragem! Amém!

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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