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Publicado: Sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Je Suis Catholique

Crédito: Internet Je Suis Catholique
Nous sommes catholiques e continuaremos.

Os distraídos ficam espantados com as diversas modalidades de barbárie reinando na atualidade. Acontecidas em nível local, regional, nacional ou mundial, as pequenas e grandes tragédias do nosso cotidiano são encobertas por uma grossa camada de sensacionalismo, recheadas com sentimentalismos e saboreadas com avidez pela grande maioria que não consegue distinguir entre um pastel de sardinha e outro de bacalhau.

Os que atuam na Imprensa, em sua grande maioria, contribuem para a desinformação generalizada. Alguns, inconscientemente. Outros, conscientemente, o que é muitíssimo pior. Os primeiros são como papagaios replicantes, que fazem muito barulho mas não pensam por si mesmos. Os segundos são canalhas mesmo, vendidos que não se importam com o verdadeiro bem estar da coletividade humana.

Qualquer estrategista mediano sabe que a melhor tática para ganhar um jogo ou vencer um inimigo é distraí-lo, tirando sua atenção daquilo que é essencial. Assim é desde os tempos do cavalo de Tróia, passando por Sun Tzu e Maquiavel. Desde o primeiro século antes de Cristo, o imperador romano Júlio César utilizava a tática do "divide et impera" (dividir para conquistar). Ambos os estratagemas vêm sendo usados, metodicamente, para eliminar da face da Terra o estilo de vida ocidental e seus valores.

Nos idos de 1990, o historiador Samuel Phillips Huntington publicou sua teoria sobre o "choque de civilizações". Após a Guerra Fria, os principais embates políticos, econômicos e bélicos não seriam mais travados entre países mas entre civilizações como a ocidental, a muçulmana, a africana, a chinesa, etc. Tal conflito, diferente de tudo o que a humanidade já testemunhou, nem sempre seria percebido pela maioria das pessoas. Você acha que o choque de civilizações está para acontecer? Engana-se: já vem acontecendo há mais de trinta anos.

Os Senhores da Guerra (principalmente os radicais islâmicos e os comunistas na Rússia e na China), interessados em destruir a civilização ocidental, estão nos dividindo cada vez mais e com rótulos sempre mais criativos. Instaura-se a inócua discussão generalizada entre católicos, protestantes, umbandistas, negros, brancos, amarelos, homossexuais, heterossexuais, transexuais, etc. Tais divisões chegam ao cúmulo de ramificarem-se ainda mais dentro de cada um desses grupos. Assim sendo, não espanta sermos tão facilmente conquistados já que não conseguimos nos unir em torno dos valores que realmente asseguram a nossa filosofia de vida.

Os vendidos e os papagaios colaboram quanto às distrações, como aqueles que proporcionam ao cachorrinho uma infinidade de bolinhas de borracha pulantes para que não se lembrem de buscar o osso muito mais suculento. Daí termos tantas futilidades a nos anuviar o pensamento: os filmes, novelas, seriados e músicas sem qualquer conteúdo aproveitável; os joguinhos eletrônicos e a baixa literatura de ficção; as modinhas compartilhadas, como jogar balde de água gelada na própria cabeça, selfies e afins.

Se você gosta do estilo de vida que leva, com liberdade de ir e vir; liberdade de expressão; possibilidade de defesa jurídica; direito ao voto; consumo de bens materiais e imateriais de acordo com a própria condição financeira; oportunidade de ascensão social; direitos humanos básicos assegurados por lei; etc; saiba de uma vez por todas que isso só é possível porque a civilização ocidental está fundamentada nos valores judaico-cristãos que a Igreja Católica tratou de incentivar a partir do crescimento de sua influência política e religiosa, já no início da obviamente chamada Era Cristã.

Você que pode xingar a Presidente; que pode chamar cristãos de "fanáticos intolerantes"; que pode processar os que lhe prejudicarem; que pode comprar seu automóvel sem dar satisfações a ninguém; saiba que a Igreja Católica, em sua cruzada pela liberdade e valorização da vida humana através dos séculos, é a grande responsável por tudo isso. Quem não tem honestidade para admitir tal fato está, no mínimo, cuspindo diariamente no prato em que ainda come. Sugiro trocar tanto cuspe por muito estudo histórico honesto.

Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie). O tal do "Je suis Charlie" (Eu sou Charlie) pintado com os vários tons sentimentalóides do politicamente correto, representa toda a involução ocidental incentivada para nos enfraquecer diante do inevitável choque de civilizações. Por trás de uma simples frase está escondida a gigantesca alienação reinante, na qual pessoas até bem intencionadas se deixam levar por uma idéia que, ao fim e ao cabo, será responsável pela destruição de tudo o que amam.

Je suis catholique (Eu sou católico). Pois é a Igreja fundada pessoalmente por Cristo, a especialista em humanidade, a que mais defende e alivia os sofrimentos dos pobres, doentes e injustiçados nos cinco continentes, gritando para o deserto que a Paz que vem de Jesus é o único caminho para vivermos e convivermos com nossas tantas diferenças.

Aqueles que, mesmo vivendo no Ocidente, desejam o fim da Igreja Católica, estão dando um tiro no próprio pé. Pois, se isso fosse possível (nunca acontecerá), junto com os católicos seriam destruídos também todos os valores que asseguram e mantêm o estilo de vida de bilhões de pessoas.

Nous sommes catholiques (Nós somos católicos). E continuaremos gritando aos quatro ventos as inverdades deste mundo, denunciando a inversão de valores e a banalização da sagrada vida humana. Continuaremos sendo a luz no fim do túnel e o abraço dos que retornam desesperados. Continuaremos sendo os discípulos fiéis de Jesus em todos os lugares do planeta e o sinal de que nada está perdido enquanto insistirmos na Paz e no Amor que nos foram ensinados por Cristo.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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