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Publicado: Sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Invasão na Escola é Falta de Educação

Crédito: Iotti/Agência RBS Invasão na Escola é Falta de Educação
Jovens vêm sendo instrumentalizados e nem percebem.

Está na moda, em alguns pontos do país, a mobilização de alunos com o objetivo de organizar invasões a escolas públicas. Alegam, como nobre motivo, serem contra a PEC 241 que limita os gastos governamentais pelas próximas duas décadas. Dizem, com tom indignado, que tal medida congelará os investimentos em Educação e em Saúde, prejudicando assim a qualidade de seus estudos.

Entendo as preocupações e até posso elogiar a coragem audaciosa desses jovens. Porém, estão super perdidos. Há leis em vigor sendo desrespeitadas e não é assim que se construirá uma sociedade melhor. Nenhuma assembléia de estudantes pode passar por cima das leis constituídas.

Há uma legislação específica para utilizar prédios públicos escolares, sobre a qual não vou me aprofundar, mas que qualquer servidor público que lida com a gerência ou a administração de escolas sabe qual é. "Espaço público" não é sinônimo de "casa da mãe joana". Por qual motivo ninguém invade os quartéis do Exército, a Prefeitura ou as delegacias? Também são espaços públicos, certo?

Baderna alguma pode contribuir ou legitimar qualquer tipo de manifestação. Bagunça pode ser boa no Carnaval, mas para a discussão de temas sérios, em nada contribui.Uma vez que aderem à baderna e jogam fora conceitos básicos de civilidade, subvertendo a lógica para defender tais invasões, que na verdade são um crime, algo não previsto em Lei, o "movimento" perde todo e qualquer crédito. O Brasil precisa de ordem e não de mais bagunça.

Em vez de se transformarem em invasores criminosos, os alunos poderiam fazer piquetes fora da escola; poderiam fazer vigílias na frente dela; poderiam montar barracas e estandes na calçada, fazendo discursos de conscientização. Jamais, porém, poderiam invadir a escola e impedir o espaço público de ser acessado por professores e alunos que não desejam aderir ao movimento. Há alunos querendo estudar, impedidos por algo que só existe no Brasil: "greve de estudantes" (sic!).

Os alunos poderiam fazer passeatas (na capital paulista há quase diariamente), o que é previsto nas leis de direito de manifestação; os alunos poderiam pedir espaço na tribuna livre das Câmaras Municipais; os alunos poderiam ir às rádios e aos jornais, organizar coletivas de imprensa e fazer panfletagem; enfim, há muitas outras alternativas, mas parece que o "movimento" quer mesmo é bagunça.

A grande maioria dos alunos vem sendo instrumentalizada por universitários e professores de orientação marxista. A intenção dos comunistas é passar para a sociedade a falsa imagem de "revolta popular". Ora, em 99,9% do país o povo brasileiro continua tocando a vida como sempre, trabalhando e estudando, lidando com as atividades diárias, etc.

Os jovens invasores não sabem o que é a PEC 241. Não a leram, não sabem o que significa a sigla (Proposta de Emenda Constitucional) e não conseguem explicá-la. Não sabem discuti-la e sequer citam em qual parte está escrito que as verbas para Educação e Saúde serão cortadas ou diminuídas. Não sabem que o teto dos gastos é global e não setorizado.

Não sabem que as verbas para Educação e Saúde, como tantas outras, já estão previstas no Orçamento da União para 2017. Não sabem a diferença, na letra da lei, entre os termos "congelar" e "limitar". Não sabem que o Governo Federal, caso queira, poderá sim aumentar as verbas da Educação e da Saúde, desde que esse aumento não ultrapasse o índice da inflação anual (medido pelo IPCA) ou que o montante seja retirado do orçamento de alguma outra pasta.

Curioso é que a PEC 241 foi criada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2005, durante o Governo Lula, por sugestão, entre outros, dos então ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo (atualmente estando um preso e outro indiciado pela Operação Lava a Jato), tendo sido defendida, inclusive, pela então ministra Dilma Rousseff. Na época a PEC não foi aprovada, pois o Governo não teve base no Congresso para isso. E durante sua tramitação não houve, ao contrário de agora, essa baderna toda.

O governo petista deixou para nós este ano um rombo de 160 bilhões de reais. Ninguém tem coragem de imaginar para onde foi esse dinheiro todo, mas alguns desconfiam que foram parar no bolso de políticos via propina ou então financiou governos estrangeiros de Angola, Cuba, Bolívia, Venezuela, etc. Que belo uso, não? (sic!)

A PEC 241 tornou-se inevitável por culpa de mandos e desmandos ao longo de anos e anos. Quem paga o pato é sempre o povo, ainda mais enquanto insistirmos em não eleger bons administradores. E mesmo não sendo perfeita, ao menos a PEC 241 acabará com a gastança. Nem o Presidente Temer, nem ninguém, poderá a partir de agora fazer o que bem quiser, simplesmente porque não há de onde tirar dinheiro.

Não penso ser "lindo" justificar invasões, contrariar as leis vigentes e impedir o acesso de professores e alunos que têm o direito de estar em sala de aula. Penso ser preocupante tudo isso. Alunos deveriam é aprender mais dentro da sala de aula, não em greves e invasões. Menos mal que a minoria adere a essa baderna. A maioria dos alunos quer estudar. A maioria dos professores quer lecionar. A maioria dos pais discorda dessa tática terrorista de invadir e ocupar que, ao fim e ao cabo, não levará a nada.

Semana passada, numa das escolas invadidas em Curitiba (PR), um jovem de 16 anos morreu esfaqueado. O que estava ele fazendo durante a invasão escolar? Estava usando drogas junto com outro colega. Enquanto se drogavam, acabaram discutindo e um esfaqueou o outro. Isso é lutar pela Educação? Isso é lutar pela Democracia? A culpa é da sociedade ou é do movimento leviano que promove a baderna como norma?

A instituição chamada Escola pertence a todos. Pertence aos alunos, aos professores, aos diretores, aos pais e responsáveis, à toda a sociedade.Em relação à Escola, cada qual deve cumprir a própria parte. Os alunos devem estudar sem rebeldia ou preguiça. Os professores devem ensinar com honestidade e sem doutrinação.

Os diretores devem garantir as condições para que alunos e professores interajam de modo decente, não sendo meros pau-mandados de quem está no comando da Delegacia de Ensino ou da Secretaria de Educação. Os pais devem ser fiscais da Escola, ficando atentos às condições materiais e metodológicas da mesma, participando de decisões através de Conselhos e colaborando na medida do possível. A sociedade deve cobrar uma boa qualidade de ensino, fazendo que os governantes invistam o que determina a lei e não usem a Escola como massa de manobra política.

Essas deveriam ser as primeiras lições de civilidade a serem praticadas por estudantes e todos os que se preocupam de verdade com a Escola. Enquanto não acontece assim, vemos um triste sinal de que a Educação no Brasil está mesmo falida e instrumentalizada por questões ideológicas. Invadir escolas é falta de Educação e um método falso na luta pela melhoria delas.

Que Deus tenha Misericórdia de alunos e professores do Brasil!

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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