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Publicado: Quarta-feira, 7 de março de 2012

Hoje é o Dia Internacional da Mulher

Crédito: banco de imagens Hoje é o Dia Internacional da Mulher
Nada de valorizar o que deve ser superado

O dia 08 de março passou a ser comemorado em razão do ocorrido em 1857 e que ao longo dos anos acabou tomando um rumo (que se diga de passagem eu também já transitei por esta estrada quando escrevi em 2005 Sou mulher com muito orgulho e outros textos semelhantes) que hoje, mais amadurecida, e após ter visto, vivido e lido muita coisa me recuso a continuar a seguir esta linha de “endeusamento intencional” que faz com que a mulher se sinta motivada a se desdobrar em mil tarefas ao longo do ano na certeza de que no dia 08 de março todo este seu desgaste será recompensado com o recebimento de uma rosa acompanhada da repetição de palavras que continuarão a instigar a mulher a continuar a se comportar da mesma forma.

Já está na hora de mudarmos este paradigma.

Devemos sim comemorar o ocorrido em 1857 e refletir sobre as demais conquistas advindas deste fato como o direito de votar e ser votada, de ocupar cargos no mercado de trabalho tidos como tipicamente masculinos, de falar e ser ouvida, de escolher  ser mãe ou não, de optar por casar ou não, enfim SER sem a dependência masculina e sim com a PARCERIA masculina, se assim o desejar.

Já é hora de se abandonar as frases piegas de que a mulher é uma flor – delicada como uma orquídea, perfumada como um jasmim, de pele aveludada como uma rosa - e tantas outras que ao serem pronunciadas hoje provocam desconforto diante do engessamento comportamental masculino.

A mulher aprecia as flores, mas nunca foi seu objetivo ser uma delas.

Muito pelo contrário! Mulher alguma se considera um enfeite na sala de estar, mas sim pessoa atuante e participativa de todas as decisões relativas ao lar. Não quer ser uma rosa dentro de um solitário em cima da mesa do escritório e sim trabalhar-sugerir-atuar-ser respeitada-ser promovida e ganhar o mesmo valor salarial que o homem naquela função.

Muitas mudanças ocorreram desde 1857 e estas envolvem homens e mulheres (afinal vivemos e convivemos na mesma sociedade), portanto não há razão para o homem se comportar como se não fizesse parte do processo.

Hoje a mulher não mais é tida somente como procriadora, hoje ela tem o livre arbítrio para decidir se quer ou não ter filhos estando casada ou optando pela produção independente. Com os testes de DNA não há mais como o homem fugir de suas responsabilidades diante da gravidez que ajudou a realizar. Foi-se o tempo em que ele virava as costas e a mulher arcava sozinha com toda a responsabilidade sendo punida pelo “mau passo” inclusive por outras mulheres.

A mulher conquistou o poder de voto e hoje o nosso país é governado por uma mulher eleita pelo povo (homens e mulheres), assim como há mulheres ocupando diferentes cargos públicos.

Jovens de hoje, integrantes da geração da década de 80 em diante, dividem os serviços domésticos, a criação e a educação dos filhos, o trabalho fora de casa extinguindo, a cada dia, o rótulo de que cabe somente à mulher cuidar da casa e criar os filhos. Este comportamento já é resultado da luta feminina que não deu trégua e que se mantém ativa até hoje. Estes jovens, criados por mães e pais feministas e realistas, integram no convívio diário a colaboração, a cumplicidade, o companheirismo e o respeito.

Sei que ainda existem muitos exemplos de mulheres submissas e homens ditadores que tratam suas esposas como propriedade impedindo-as de terem vontade e vida própria, porém prefiro não tomar esta triste realidade como exemplo e sim exaltar aqueles que se mantém em movimento, caminhando com o olhar para frente, mudando comportamentos arcaicos e agindo racional e civilizadamente respeitando o direito e a diversidade de ambos os sexos.

Neste Dia Internacional da Mulher vamos deixar de lado as rosas e priorizar a reflexão sobre o verdadeiro objetivo de se comemorar o 08 de março. Nada de maquiar esta data com palavras e atitudes que venham a desvirtuar o verdadeiro objetivo.

Nada de valorizar o que deve ser superado e descartado.

E você, o que pensa a respeito? Deixe aqui registrada a sua opinião.

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Cybele Meyer

Cybele Meyer

Advogada, Artista Plástica, Professora, Diretora Pedagógica, sócia fundadora da Meyer&Meyer - Construindo a Educação, Palestrante, Pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior.

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