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Publicado: Sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Gênio com Quatro Letras

Quinta-feira passada, Edson Arantes do Nascimento completou 68 anos de idade. Lembrei disso ao assistir novamente o documentário “Pelé Eterno” (2004). É o que faço sempre que desejo ver futebol de verdade. O filme retrata com fidelidade a razão pela qual ele foi aclamado “o atleta do século”.
 
Não acompanho campeonatos de futebol. Por obrigação jornalística, acabo sabendo pelo noticiário o que acontece no Brasil e no mundo futebolístico. Raramente assisto alguma partida na televisão e sempre me decepciono com o que vejo. Há sempre exceções, mas na maior parte do tempo o futebol moderno é sem graça, truculento demais. Virou mais um negócio lucrativo e perde seu encanto como atração esportiva.
 
Uma das grandes frustrações que tenho é o fato de não ter visto Pelé jogar. Quem o viu em campo, afirma que nunca haverá outro igual. O Brasil sempre foi um celeiro de bons jogadores, mas Pelé é uma unanimidade. O jornalista Armando Nogueira (craque das palavras) afirmou: “Se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola”. E Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Para um time é fácil fazer um gol ‘com’ o Pelé. Mas é impossível fazer um gol ‘como’ o Pelé”.
 
Em 1384 partidas disputadas, o Rei do Futebol marcou 1284 vezes. Foram 95 gols com a camisa da seleção brasileira. Um jogador completo, atuante em todas as posições, marcando gols de tudo quanto é jeito. Ele sim é o verdadeiro “fenômeno” do futebol. Não se pode comparar Robinho com Pelé. Chega a ser uma ofensa, compará-lo com outros craques.
 
O campeonato paulista de 1958, disputado por Pelé já com a camisa consagrada do Santos, tornou-se um presságio. Na temporada o time marcou 134 gols, sendo 58 deles de Pelé. Um recorde da competição que levava os narradores a exclamar durante o jogo: “Meu Deus, isto não existe!”.
 
Quando Deus sentiu vontade de jogar futebol, teve uma inspiração e criou o Edson Arantes. Por sua vez, inspirado pelo talento que o pai também possui, o menino Pelé cresceu e tornou-se ícone do esporte mais popular do mundo. Simplesmente não há como separar a imagem da bola e seu Rei.
 
Se o futebol não existisse, alguém teria de inventá-lo só para Pelé jogar. Sua fama é fruto de um dom natural, um talento nato. Parte do que ele fez ficou registrado para a posteridade. Não se trata de um produto de marketing, alguém lançado pela mídia como garoto-propaganda do esporte. Infelizmente, hoje em dia tenho a impressão que “fabricam” craques a cada bimestre. São sempre novas promessas que nunca se cumprem, craques de ocasião.
 
Conforme passa o tempo, me convenço de que não haverá mais alguém como Pelé. Ele a bola tiveram uma relação simbiótica. Ela não era seu instrumento de trabalho, mas uma extensão de seu corpo, de sua mente. Literalmente, Pelé sempre fez com a bola o que quis. E das poucas vezes em que ela não bateu na rede dentro do gol, foi apenas para mostrar ao Rei que, em ela, ele também não seria nada.
 
Em 1974, Pelé jogou a partida de sua despedida do time do Santos. No jogo contra a Ponte Preta, aos 23 minutos o estádio parou. Pelé levou a bola ao centro do gramado e ajoelhou-se diante dela. De braços abertos, agradeceu a torcida e os colegas de campo. O mundo da bola estava aos seus pés e Pelé ficaria para sempre nos braços do povo.
 
Resta aos mais jovens conferir os vídeos feitos de suas brilhantes jogadas. Uma época em que o Santos ganhava de qualquer time, sempre com placares elásticos: 5, 6, 7, 8 gols contra um ou dois, no máximo. Um tempo bem diferente do futebol cinza e insípido que temos nos campeonatos de hoje.
 
Louvado seja Deus, por ter criado Pelé, o jeito certo de escrever a palavra “gênio” usando apenas quatro letras.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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