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Publicado: Quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Forma e conteúdo

Crédito: Internet Forma e conteúdo
Essencial é o conteúdo. A forma é opcional

Em meu último texto do ano passado, desejei um infeliz 2012 aos leitores. Foi o texto mais curto que já escrevi na vida, penso eu. Mas nunca um texto tão curto rendeu tantos comentários! É uma pena o fato de o brasileiro não estar tão acostumado a se manifestar, inclusive pela Internet. De um total de aproximadamente 300 acessos, apenas cinco leitores emitiram opinião.

Não sei sobre os que leram e não comentaram. Mas, entre os que se manifestaram, a maioria não reagiu bem. Afinal, não é comum desejar infelicidade aos outros. Apenas um leitor entendeu o espírito da coisa: compreendeu a mensagem, discordando apenas da forma de transmiti-la.

Houve um leitor que se manifestou de forma pouco civilizada, sugerindo-me introduzir nada delicadamente um objeto qualquer em minha cavidade anal. Teve leitor que me desejou infelicidades triplas. Uma leitora quis saber se tanta infelicidade cabia na minha cabeça. E outra leitora usou conceitos de psicanálise para me perguntar o que defino por “sentimentos nobres”, inquirindo-me se tomo pelos termos algo como um complexo de grandeza.

Tenho máximo respeito pelos leitores. São pessoas que acompanham nossos artigos durante anos e a elas, mais do que a ninguém, é sagrado o direito de emitir opinião. Algo, aliás, que vem de encontro ao espírito democrático que tenho. Não sou de ficar magoado ou raivoso por conta dessas manifestações “negativas”, assim como não sou de ficar envaidecido por conta de outras manifestações “positivas”.

O papel do escritor é escrever. Venha o que vier.

Particularmente, os comentários “negativos” são bons para mim: ensinam-me a conhecer melhor certa parcela dos leitores e me ajudam a entender que ninguém, mas ninguém mesmo, deve se considerar uma unanimidade, em qualquer área de atuação.

E coloquei “negativos” e “positivos” entre aspas, porque considero quaisquer manifestações saudáveis para a democracia em que vivemos. Seja a opinião que for, é melhor ter alguma do que nenhuma, sirva esta para elogiar ou criticar alguém. Pena que, dos cinco leitores mencionados acima, apenas dois fizeram críticas realmente construtivas, às quais agradeço sinceramente.

Em meu texto anterior, elencando certas infelicidades e desejando-as para os leitores (obviamente usando de ironia e não de sinceridade), falei de situações que realmente ocorreram em minha vida e que acontecem todos os anos na vida de milhões de pessoas: dívidas financeiras, desilusões amorosas, problemas profissionais e frustrações com o esporte. Convenhamos: quem nunca passou por tudo isso em algum momento? Passei por todas essas situações (e mais algumas) superando-as no tempo certo.

Encerrei o texto exortando as pessoas a concluírem que, nenhum dos males citados e nem os muitos outros não relacionados, podem ter mais valor na vida da gente do que DEUS, a FAMÍLIA, as AMIZADES e os SENTIMENTOS NOBRES (estes últimos termos entendidos por mim como: bondade, caridade, honestidade, boa vontade, solidariedade, etc).

Fazendo um balanço da vida, todos olhamos para trás e lembramos de anos que foram “mais felizes” e “menos felizes”. Mas com fé em Deus, o apoio da família e dos amigos, fazendo a nossa parte no dia a dia, pode entrar ano e sair ano que permanecemos firmes nos nossos propósitos. São esses os pilares que nos mantêm de pé e caminhando.

Um leitor entendeu a mensagem, o conteúdo. Criticou apenas a forma de transmitir a idéia. Acontece que a forma é algo próprio do escritor, é ele quem a escolhe. Pode-se escrever coisas velhas de formas novas. Pode-se escrever coisas novas de formas velhas. Pode-se escrever de forma que ninguém entenda. Pode-se escrever de forma que qualquer pessoa perceba. Eu escolhi escrever de uma forma nada eventual, que cutucasse a mente dos leitores.

Missão completa!

Definitivamente, a quem preocupar possa, não sou uma pessoa infeliz. Muito ao contrário: a vida anda cada vez mais saborosa. Mas me preocupo com quem não percebe a ironia contida em um texto, com o objetivo de chamar atenção para algo maior. E maior que a forma, é o conteúdo de todas as coisas.

Eis a história de um texto curto que se transformou em um texto longo. Encerro desejando a todos nós muitas leituras e comentários, sejam felizes ou infelizes

 

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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