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Publicado: Quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Foi o Maluf Que Fez

Crédito: Internet Foi o Maluf Que Fez
A carreira política do Dr. Paulo está morta. Será?

Ao que tudo indica está encerrada de vez a carreira de um dos mais notórios políticos de carreira que o Brasil já produziu. Em mais um desfecho desses conchavos comuns em Brasília (DF), a Mesa Diretora da Câmara cassou o quarto mandato de Paulo Salim Maluf como deputado federal por São Paulo.

Dr. Maluf, como gosta de ser chamado, transformou-se em figura das mais conhecidas em meio à nossa fauna partidária, tornando-se um ícone. Ninguém nega que sempre foi um adversário político sagaz e tampouco sua fama de tocador de obras deu-se à toa. Para ser bem honesto (coisa que ele nem sempre foi) é por causa do Dr. Paulo que a capital paulista tem hoje algumas das maiores obras de infra-estrutura do país. Pena é que, por trás de tantas obras, o Dr. Salim escondia suas maracutaias, como os milionários desvios de verba e superfaturamentos.

Teve uma carreira invejável na Política. Além de parlamentar, foi prefeito da maior cidade brasileira e também Governador do maior Estado da Federação. Candidatou-se à Presidência da República várias vezes e teve sua maior chance na eleição indireta de 1985, na qual perdeu a disputa para o mineiro Tancredo Neves (avô do envergonhado Aécio) que também no fim ganhou mas não levou e o Sarney de herança nos deixou.

Foi criticado e invejado. Ganhou fama, foi imitado por humoristas e lançou um bordão que é o sonho de todo político: “Foi o Maluf que fez”, referindo-se a tudo quanto de bom ele disse ter construído em São Paulo. Também foi conhecido por dizer que colocaria a ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) na rua, para dar mais segurança aos eleitores da capital. Deu várias mancadas durante a carreira, como ter lançado Celso Pitta (que Deus o tenha) para a Prefeitura paulistana e ter dito as desgraçadas frases “Estupra, mas não mata” e “Professora não é mal paga, é mal casada”.

Acredito na lenta e gradual evolução do Brasil. A cassação do mandato de Paulo Maluf, além de sua condenação a prisão domiciliar por comprovada corrupção, são para mim alguns sinais de que em terras tupiniquins a coisa demora, mas muda. Até algum tempo atrás jamais poderíamos sonhar que alguém do cacife do Dr. Paulo passaria por tudo isso, sendo finalmente condenado, preso e tirado da cena política. Só não bato o martelo no caso porque conheço Maluf de outros carnavais. Nunca subestime um homem esperto e obstinado. Porém, como se não bastasse, a justiça norte-americana também condenou, a quatro anos de prisão, o Dr. José Maria Marin, sucessor de Maluf no governo do Estado de São Paulo em 1982, por causa de maracutaias na CBF e no futebol internacional.

Percebo que este artigo soa quase como um necrológio, mesmo que ele não tenha ainda morrido. Mas acontece que o Dr. Paulo Salim Maluf chega aos 87 anos de vida de maneira patética. Colhe agora os frutos de toda a corrupção que plantou, algo que o dinheiro roubado há anos não conseguirá apagar de sua biografia. Tudo pelo que está passando não é culpa de ninguém: foi o Maluf que fez. E o pior: fez a si mesmo. Que o Dr. Paulo descanse em paz.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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