Colunistas

Publicado: Sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Final Feliz ao Menino da Porteira

Você conhece a cidade de Ouro Fino (MG)? Se a resposta for negativa, basta uma pesquisa rápida na internet para saber tudo a respeito da localidade. Mesmo não conhecendo esse município mineiro, garanto que todos já ouviram falar dele. Ainda mais quem é fã de música sertaneja e já escutou distraidamente a canção “O Menino da Porteira”.
 
A música foi composta por Teddy Vieira, gravada nos anos 1950 por Luizinho (Luís Raimundo) e Limeira (Ivo Raimundo). Foi em 1973 que ficou conhecida nacionalmente, na voz de Sérgio Reis que estava saindo da onda da Jovem Guarda para tornar-se um dos ícones da moda de viola brasileira.
 
Sou bem eclético quanto à música. Gosto de tudo o que é bom, o que é bastante relativo. Gosto de moda de viola, daquelas bem tradicionais. E é claro que “O Menino da Porteira” é uma das minhas canções favoritas. Porém, comecei a ficar incomodado com a estória ali contada e cantada.
 
A letra narra a história de um boiadeiro que, ao passar por Ouro Fino (MG), sempre dava uma gorjeta a um menino que lhe abria a porteira para dar passagem ao gado. Além da moedinha, o garoto também pedia para que o boiadeiro tocasse o berrante, pois ficava maravilhado com o som que dele saía.
 
A parte triste da narrativa fica para uma viagem feita pelo mesmo boiadeiro, tempos depois. Ele repara que o menino não está na porteira como de costume. Em seu lugar há uma mulher chorando, é a mãe do garoto. Ela então conta que a criança foi morta por um boi, mas a letra não explica como. Em sentimento de luto, o boiadeiro promete nunca mais tocar seu berrante ao passar pela região, em memória do falecido.
 
Utilizarei da famosa “licença poética” para sugerir aos leitores um novo final para essa canção, mantendo a primeira parte e modificando a parte triste. A intenção é que ela possa ser cantada no ritmo original. Para quem sabe e gosta de tocar violão, vale a experiência. Tanto a letra original quanto a cifra para o violão, podem ser encontrados facilmente na internet ou livretos de música vendidos em bancas de jornal.
  
Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo:
- Toque o berrante, seu moço, que é pra eu ficar ouvindo!
 
Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda e ele saía pulando:
- Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhado!
Por aquele sertão a fora, meu berrante ia tocando.
 
Nos caminhos desta vida muitos espinhos encontrei
Mas tive uma alegria que nunca experimentei
Na minha viagem de volta, uma coisa eu reparei
Vendo a porteira fechada o menino não avistei.
 
Apeei do meu cavalo e no ranchinho a beira chão
Vi um mulher varrendo e cheguei no seu portão
- Boiadeiro veio tarde, mas tenho só gratidão!
Aquelas moedas todas alegraram meu coração!
 
Lá pras bandas de Ouro Fino, levando gado selvagem
Quando passo na porteira recordo essa viagem
Com aquelas moedinhas que o menino ajuntou
Foi mandado pra cidade, na escola se formou
 
Hoje o menino é grande, cuida da mãe e do pai
Abriu negócio próprio e assim a vida vai
Das moedas que eu dei, com generosidade
O menino da porteira virou um homem de verdade
Comentários

Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

Arquivo

15 dias atrás

OBRIGADÍSSIMO, ITU.COM!

18 de setembro de 2019

Padre Bento e o Xis da Questão

7 de setembro de 2019

CATÓLICO MEIA-BOCA

Ariza Centro Veterinrio