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Publicado: Sábado, 23 de setembro de 2017

Festa da comunidade, doces e mais

Crédito: Foto: Fábio Benedetti Festa da comunidade, doces e mais
Parte da mesa de doces da Festa de São Vicente em Itu - 2017

Para quem, como eu, cresceu numa cidade pequena e interiorana, dia de santo leva a festa de igreja que tem que ter quermesse. Onde já se viu uma festa de Santa Rita ou do Divino sem barraquinhas de pastel, cachorro quente, churrasco, pescaria, roleta e, claro, doces? 

Itu agora já não é mais uma cidade "assim tão pequena", mas já foi e nem faz tanto tempo. Embora muita gente tente esquecer,  no fundo não há como não guardar na memróia um senso de comunidade que é proprio de quem teve esse contato desde criança.

Desde o mês passado, soube pela minha mãe, que é vicentina (faz parte da comunidade de São Vicente de Paulo), que ela seria responsável pela barraca de doces da festa anual que ocorre na Vila Vicentina para angariar fundos para a manutenção dos asilos de idosos que essa comunidade mantém e administra.

Assim que foi escalada para função, o assunto mudou na casa dela. Todos nós na família começamos a conversar sobre como conseguir recursos, quais tipos de doces seriam vendidos, quem poderia doar o quê e a nossa energia ficou, digamos, mais açucarada... mais docinha!

Depois de combinações e acertos entre os organizadores da festa, minha mãe tinha na cabeça a linha a ser seguida para fazer sucesso com a barraca de guloseimas.

Muitos amigos nossos (alguns bem próximos, outros nem tanto) se prontificaram a contribuir. Houve quem se comprometeu com  sobremesas para serem vendidas em peças inteiras e, outras, para serem porcionadas ou já em unidades de consumo individual.

Teve quem mandou pudim, manjar, caçarola italiana,  torta, bolo recheado e confeitado, docinhos como brigadeiros e beijinhos, tortinhas, canoles com recheio de coco, arroz doce, suspiro, sonho e, pasmem!, a festa ganhou um freezer cheio de picolés e muitos doces mineiros, daqueles cristalizados e também do tipo doce de leite durinho com coco ou chocolate e amendoim... Hummmm, tudo um acinte ao ao regime de poucas calorias...  Tudo pra gente pensar se a festa é do santo ou do diabo que engorda a gente só de olhar! 

 

A festa começou ontem, dia 22, e vai até amanhã, domingo, 24 de setembro. Ah! Claro que não tem só barraca de doce, tem cachorro quente, pastel, churrasquinho, pizza e, na parte do entretenimento, música para animar, crianças brincando e gente de coração voluntário para trabalhar em prol de uma causa necessária para a sociedade. 

Já que estudo gastronomia e hospitalidade, minha atenção anda sempre voltada a entender o que motiva tanto as pessoas pra participar de atividades comunitárias como essa da Vila. As festas de comunidades paroquiais dão senso de pertencimento e identidade aos que dela participam. São instrumentos sociais que dão oportunidade aos indivíduos de pertencer a um local,  ou seja, de ser parte e poder contribuir, fazer o seu pedaço ou a diferença, de ver e ser visto, de se reconhecer como membro da comunidade. Não me refiro a vaidade e poder, mas a reconhecimento de si mesmo.

Sem muita filosofia,  essa relação comunitária faz é muito bem à saúde. Quando a gente participa fica mais forte e se sente presente.  

Ainda esta semana, numa aula, refletíamos sobre a comunidade e a sociedade: a primeira é boa, inclusiva, empoderadora. A segunda é o que é há de mau, aquilo que a gente critica...  Mas a sociedade só muda pra melhor se a comunidade estiver integrada e der chance para que as mudanças positivas que todos buscam ocorram.  

Participar não é só doar o tempo e os doces. É também ir até lá desfrutando daquilo que foi preparado para a comunidade. Cada real gasto num docinho é o reconhecimento do trabalho do outro pelo outro ainda. Traduzindo, quando você vai lá e compra uma cocada ou um pedaço de pudim, além de se deliciar e se adoçar, reconhece a importância de quem dou um pouco de si para atender os velhinhos que precisam de auxílio quando estão num asilo. 

É por aí que a coisa vai, vira um ciclo virtuoso. Então, esse é um convite. Se não tiver programa pra hoje à noite ou amanhã para almoçar, dê uma passada lá na festa da Vila Vicentina. Olhe as pessoas nos olhos, cumprimente, converse, reconheça o seu vizinho que na correria do dia a dia você nem vê. Reconheça-se! Pertença! 

Essa é a dica.  

Se for até lá, vai me encontrar vendendo doces e fazendo amigos! 

Ah! Achei aqui mesmo no Itu.com.br um link com as informações da festa.

 

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Gastronomia & Hospitalidade

Maria Cláudia Gavioli

Maria Cláudia Gavioli

Jornalista, chef de cozinha e blogueira de gastronomia & hospitalidade (www.blogdagavioli.com.br). Ituana, vive em São Paulo há 25 anos, adora viajar, comer, ler e encontrar pessoas.

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