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Publicado: Segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Felizes

Felizes os pobres?

Há várias maneiras de ser pobre. Tem gente que é pobre materialmente. Tem gente que é pobre espiritualmente. Ao contrário do que acontece no plano material, ser pobre de espírito não deve ser encarado como algo negativo. Ao contrário, Cristo nos ensina que é desses o Reino dos Céus. Cientes de sua condição de pecadores, eles esperam ser acolhidos pelo Pai na morada eterna e têm no Criador o seu refúgio.

Felizes os que choram?

Chora quem está triste. E a tristeza é encarada de modo negativo pelo ser humano. Chorarmos por causa de um acontecimento trágico qualquer. Choramos em momentos de angústia e solidão? Por qual motivo os que choram seriam felizes? Simplesmente porque os pobres de espírito, ao chorar, podem contar com o consolo vindo do céu. Mesmo nos momentos mais desesperadores, não perdem a esperança. Vêm nas dificuldades verdadeiras provações da fé, que os fazem crescer espiritualmente. Felizes os que choram e que sabem entregar seus prantos nas mãos de Deus, pois receberão do Pai o melhor consolo.

Felizes os humildes?

Muitos confundem “humildade” com “pobreza”. Mas vale lembrar que há muitos ricos que são ao mesmo tempo humildes. A humildade não se mede por quantidade de bens materiais. É uma questão de espírito. Deus nos ensina a ser humildes, principalmente quando nos lembra que somos pecadores. E que por isso não devemos nos julgar melhores que ninguém. Ser humilde é lembrar sempre que todos somos iguais aos olhos do Pai. É colocar-nos à serviço dos irmãos que precisarem e da comunidade. É buscar ser o “último” em todos os lugares, independente das condições materiais que possui. Esses receberão a recompensa prometida pelo Senhor: serão exaltados, colocados nos primeiros lugares quando chegarem ao Reino.

Felizes os que têm fome e sede de justiça?

É feliz todo aquele que procura cumprir a vontade de Deus, seja qual for. É feliz quem se coloca a trabalhar para o Senhor com a mesma vontade de um sedento ao tomar um copo com água, com a mesma disposição de um faminto em comer um prato com comida. A esses, Deus os deixará plenamente saciados. Mas não com a saciedade do estômago, que dura algumas horas e depois volta novamente. O Senhor os saciará em suas almas, com a sensação de felicidade plena que só possuem os que se colocam inteiramente à disposição da vontade divina.

Felizes os misericordiosos?

Quem sabe perdoar, será perdoado também. É simples. Mas quão difícil é perdoar, livrar-se do orgulho, da inveja e das rivalidades! Por isso os que sabem ser misericordiosos são felizes. Podem viver tranqüilamente, sabendo que também receberão do Pai a misericórdia para suas almas.

Feliz os puros de coração?

Esses normalmente são confundidos com ingênuos. Ser puro de coração é acreditar sobretudo na capacidade do ser humano em amar o Senhor. É saber enxergar a Deus em todos os irmãos e fazer por eles o que for preciso. Não é ser bobo dos outros ou não saber identificar a maldade existente por aí, mas sim acreditar que todo o mal pode ser vencido se contarmos com a graça divina.

Felizes os mansos?

É feliz que sabe viver em harmonia com seus semelhantes. Quem sabe deixar as disputas de lado em favor do bem comum. São felizes os que procuram viver a concórdia diariamente, cultivando a paz por toda a sua vida. Esses herdarão o Reino dos Céus, que é o Reino da Paz, o Reino de Deus. Poderão ser chamados de filhos do Deus da Paz, porque viveram-na realmente em suas próprias existências.

Felizes os perseguidos?

Toda escolha tem conseqüências. E a conseqüência de optar por seguir Jesus é ter que enfrentar as perseguições. Os profetas e discípulos foram perseguidos, assim como o próprio Cristo. Sofrer perseguições é seguir-lhes o exemplo, enfrentando tudo como provação. O consolo vem da certeza da recompensa futura, prometida pelo próprio Deus, que está reservada a todos os que sofrerem pelos valores do Evangelho.

Feliz os insultados e caluniados?

Quantos insultos e calúnias sofreu Jesus? Somos verdadeiros discípulos quando enfrentamos o mesmo destino do Mestre. Ao invés de ficarmos abatidos por causa dos que nos difamam, devemos nos alegrar. Quando incomodamos o mundo por causa da nossa opção por Cristo, é sinal de que estamos no caminho certo. E aos que perseveraram até o fim, será dada a recompensa. E é muito animador pensar que Deus não é mesquinho e nem avarento na hora de distribuir suas graças e recompensas. Há de dar aos seus eleitos as bênçãos mais escolhidas.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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