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Publicado: Sexta-feira, 30 de maio de 2008

Eu Por Mim Mesmo - Epílogo

Do ser feliz, do fazer feliz e de um propósito de vida
 
Todos temos uma visão de nós mesmos. Sobre mim, já tive várias. Dependendo dos acontecimentos que ocorrem na minha vida, me enxergo de um jeito ou outro. Geralmente as pessoas se preocupam mais com o que pensam sobre elas. É uma preocupação com o exterior. Deixamos de olhar para nosso íntimo e nos dedicamos a pensar se agradamos aos outros.
 
Já passei dessa fase. É claro que me preocupo em agradar as pessoas de modo geral e principalmente as que mais amo. Porém, não se trata de algo com a preocupação de ser considerado ou julgado. As pessoas que me conhecem verdadeiramente e convivem comigo, sabem como penso, como ajo e como sinto. Portanto, não fazem julgamentos e me amam como sou.
 
O problema da autocrítica é que ela nos impõe um pensar constantemente em nós mesmos. A gente passa a ser o primeiro a se julgar. Nos momentos de reflexão, pode-se cobrar coisas de si mesmo, avaliar bem os pontos em que estamos errando e ficar contentes com os aspectos positivos da nossa existência. Eu pratico essa autocrítica, e do alto dos meus trinta anos, completos na última quinta-feira, estou muito feliz comigo.
 
Não sei quantos podem dizer isso hoje. Há por aí inúmeros problemas e dramas pessoais. Cada um sabe onde o calo aperta e lida com eles de modo particular, à sua maneira. As pessoas se acostumaram a “estar” felizes ou não. Deixaram de lado a preocupação em “ser” felizes.
 
Os felizes de verdade descobrem que a felicidade não é um bem inatingível, mas algo possível de ser vivenciado no cotidiano. Os felizes de verdade percebem que a felicidade não precisa ser sentida apenas nos momentos alegres, mas que até nas horas de tristeza pode-se continuar sendo feliz.
 
Se minha vida terminasse agora, no exato momento em que escrevo este artigo, afirmo que diria: “Em minha vida, fui feliz”. Essa certeza é um consolo diante das dificuldades já enfrentadas e uma lembrança para não ser esquecida na hora em que novas dificuldades aparecerem.
 
Não acho que cada pessoa colocada no mundo recebeu de Deus uma missão. Acredito que cada um de nós tem várias missões a cumprir, tanto no plano pessoal quanto no que se refere à vida como um todo. A caminhada necessária para o cumprimento dessas missões é que nos torna felizes ou não.
 
Como afirma um ditado corrente, a felicidade não é um ponto a ser alcançado, mas uma estrada a ser percorrida. Lembro do sentimento frustrante daquele alpinista que, ao chegar no cume da montanha, percebeu que seu verdadeiro prazer foi superar as dificuldades da escalada.
 
A vida é um dom, um presente, uma oportunidade. Quantos quiseram nascer e não puderam? Quantos nasceram e passaram tão brevemente por este mundo, de modo que lamentamos mais os anos que deixaram de viver do que os que definitivamente viveram? É preciso aproveitar esses momentos em que a respiração existe, o coração bate e a cabeça pensa.
 
Ser feliz e fazer felizes a outras pessoas, eis uma das missões que confio a mim mesmo. E isso porque estou certo de que ninguém vem a este mundo para ser infeliz. Definitivamente, não acho ser essa a vontade de Deus a respeito de qualquer um de nós. A felicidade é uma obrigação que nos devemos impor, impreterivelmente, por todos os anos da nossa vida, sejam lá quantos forem.
 
Se não é para ser feliz, de que valem os esforços, as lutas, os desafios, as preocupações? E se for para guardar a felicidade apenas para si, de que valerá? Estar feliz consigo mesmo e espalhar a felicidade aos que nos rodeiam. Este sim um bom propósito de vida.
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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