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Publicado: Quinta-feira, 7 de abril de 2005

Entre sapos e bicicletas

Como dizem por aí, a inveja é uma porcaria. Todos temos muitos amigos e conhecidos, parentes e colegas torcendo pelo nosso sucesso e contribuindo para a nossa felicidade. Infelizmente somos obrigados a conviver também com certos tipos que parecem escalados para nos chatear e prejudicar, denegrir e enervar. Esses querem que sejamos infelizes e que os nossos projetos não evoluam. Seu desejo é nos ver na lama, afogados em problemas e com a vida atolada nas preocupações.

Não vou ficar filosofando sobre o porquê de a vida ser assim. O que sei é apenas isso: que a vida é assim mesmo. Para mal ou para bem, ela é cheia de fases. Como numa montanha-russa, ora estamos lá em cima e ora lá embaixo. Creio que viver seja muito mais que um passatempo. O grande segredo da nossa existência consiste em aproveitar ao máximo as coisas boas da vida e agradecer por elas, bem como enfrentar as dificuldades e aprender com elas.

Se os amigos nos incentivam nessa linha de pensamento, os inimigos têm outro discurso. Para eles não adiantam os nossos esforços e sacrifícios: tudo será inútil, dizem. No fundo desejam nos deixar paralisados, pressionados pelo medo de um futuro tenebroso que, afinal, nem sabemos se chegará a se concretizar. O erro mais grave seria dar ouvidos a essas pessoas. O que fazem elas além de se preocupar com a vida alheia e ficar metendo o bedelho onde não foram chamados? Ainda se fizessem isso como uma crítica construtiva, vá lá. Mas não. Seu único objetivo é nos intoxicar com seu veneno...

Há uma música que afirma: “A vida é como andar de bicicleta: se parar, você cai”. Por isso não podemos nos deixar paralisar. Digam o que quiserem, afirmem o que quiserem, é responsabilidade pessoal de cada um dar continuidade a seus projetos de vida. Afinal, cada pessoa tem uma vida só para ser feliz. E ninguém pode ser feliz no lugar de ninguém. Devemos prosseguir, sem parar. E caso alguém pare e acabe caindo, o que infelizmente não é muito difícil de ocorrer, deve se levantar o mais rápido possível. Às vezes é educativo cair, levar uns tombos, ver o mundo por baixo. Melhor ainda é usar a experiência para levantar e continuar pedalando a vida.

Ouvi certa vez a história de uma comunidade de sapos. Todos entre eles tentavam pular até a janela de uma casa de dois andares, numa espécie de competição para descobrir quem conseguiria. Um a um os sapos tentaram e não conseguiram. Até que veio um sapo estrangeiro e também quis tentar. Os companheiros lhe diziam: “Você não vai conseguir! Nós tentamos e não conseguimos!”. Pulou a primeira vez e não conseguiu mesmo. Disseram: “Ta vendo? É impossível!”. Mas o sapinho foi insistindo: pulou a segunda, a terceira e a quarta vez. Os outros, sempre negativos: “Pare com isso. Não está vendo que não vai dar?”.

Pois na quinta tentativa o sapinho conseguiu pular até o alto da janela. Todos ficaram espantados. O que teria aquele sapo de tão excepcional para conseguir tal feito? Resposta: ele era surdo. Simplesmente não ouviu os desestímulos de seus companheiros. Não deu ouvidos aos que torciam contra ele. Simplesmente insistiu em suas vontades e no cumprimento dos seus objetivos.

Como esse sapinho, não podemos nos deixar desanimar pelos outros. Não devemos dar ouvidos aos que não torcem pela gente. Mais vale a nossa insistência na realização de nossas metas e na conseqüente busca da nossa felicidade. Se assim fizermos, certamente chegaremos ao alto da janela. E os que duvidaram da nossa capacidade vão ficar coaxando lá em baixo, como sempre...

Essa é a minha visão de mundo.

Qual é a sua?

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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