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Publicado: Quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dom Amaury Castanho: 11 Anos In Memoriam

Crédito: Arquivo Pessoal Dom Amaury Castanho:           11 Anos In Memoriam
Se Dom Amaury estivesse vivo... Quantas coisas ainda faria!

Se Dom Amaury estivesse vivo...

Estaria com quase 90 anos de idade. Lutaria para ser discreto na sua posição de bispo emérito. Ainda residiria no cantinho que preparou para sua emeritude, aquele quartinho no jardim interno do Santuário Nacional do Sagrado Coração de Jesus, anexo à Igreja do Senhor Bom Jesus, cravado no centro da cidade de Itu.

Se Dom Amaury estivesse vivo...

Passaria seus dias entre telefonemas e atendimentos pessoais. Atenderia confissões e celebraria missas. Receberia visitas e aceitaria convites para palestras dentro e fora da diocese. Redigiria seus artigos, enviaria-os ao Brasil inteiro via e-mail, faria participações em programas de rádio e televisão de toda a região. Continuaria publicando livros, quem sabe até o "Diário de um Bispo Emérito - Parte 2".

Se Dom Amaury estivesse vivo...

Gastaria mais tempo com as orações e talvez até com o jardim que começou a cultivar. Continuaria, "oportuna e inoportunamente", recortando dos jornais e revistas as principais notícias da semana. Poderia imaginar o diálogo: "Mas Dom Amaury, de que serve uma hemeroteca em plena era da informática?". Ao que ele responderia: "Filho, metade do país ainda não tem acesso à internet". Teimosia é teimar com teimoso...

Se Dom Amaury estivesse vivo...

Viajaria semanalmente pelas redondezas, se possível no seu Peugeot. Faria visitas a pessoas amigas em Jundiaí e região, em Campinas e na capital paulista. Continuaria indo a Itaici periodicamente. Precisaria de um motorista e de um secretário também. Com relutância quase juvenil, acabaria aceitando a idéia. Só para deixar-nos mais tranqüilos quanto à sua segurança. Claro que, mesmo com quase 100 anos, ele seria capaz de dirigir facilmente por aí. E que não duvidássemos disso!

Se Dom Amaury estivesse vivo...

A diversão mesmo ficaria por conta de suas descobertas nas redes sociais, o grande fórum de debates da modernidade. Continuaria seu apostolado na Comunicação Social criando um perfil no Facebook e no Instragram, publicando palestras no Youtube, fazendo comentários ao vivo pelo telefone celular, participando de hangouts ao vivo, criando grupos no Whatsapp para enviar mensagens de áudio e vídeo, etc.

Se Dom Amaury estivesse vivo...

Continuaria esforçando-se para estar a serviço de todos, "afetiva e efetivamente". Ficaria contrariado ao alguém dizer que "emérito" é uma palavra chique para "aposentado", respondendo: "Aposentado é a sua avó!", seguido de uma bela risada. Suas piadinhas e anedotas super engraçadas continuariam aparecendo nas conversas pessoais ou nos almoços em família. E todos riríamos bastante ouvindo-o dizer: "Cada anedota que eu conto é um dia a mais de vida que ganho!".

Se Dom Amaury estivesse vivo...

Daria opinião em tudo, sobre tudo, no Brasil e no Mundo. Continuaria defendendo a Igreja das contradições da modernidade. Ficaria feliz ao exortar-nos à unidade com o Papa Francisco. Certamente falaria e escreveria bastante sobre a atual situação política do nosso país, com um pouco de desgosto e bastante esperança. Continuaria apoiando a juventude sem duvidar dos jovens. Prosseguiria incentivando os casais, as Famílias, os educadores, as lideranças, o clero, os fiéis.

Se Dom Amaury estivesse vivo...

Já teria refeito seu testamento mais umas dez vezes. Teria nos deixado muitos mais ensinamentos e memórias. Insistiria para que não desistíssemos jamais de prosseguir "combatendo o bom combate" até o fim. E assim será.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista e professor, iniciou sua carreira em 1996. É colunista do Itu.com.br desde 2005 e membro da Academia Ituana de Letras desde 2011. É seminarista na Diocese de Jundiaí, atualmente cursando Teologia.

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