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Publicado: Quarta-feira, 1 de junho de 2016

Dom Amaury Castanho: 10 Anos de Saudade

Crédito: Arquivo Pessoal Dom Amaury Castanho: 10 Anos de Saudade
Dom Gil Antônio Moreira, Salathiel de Souza e Dom Amaury Castanho, em foto de 2006.

Há exatos dez anos eu me preparava para mais um dia de trabalho. Era uma terça-feira. Antes de pegar o ônibus rumo à Cúria Diocesana de Jundiaí, um telefonema avisou-me do falecimento de Dom Amaury Castanho. O momento que tristemente esperava havia chegado.

Foi no último ano de vida que o então bispo emérito descobriu um câncer em fase de metástase. Cuidou-se com os melhores tratamentos que havia, mas enfrentar uma doença dessas aos 78 anos de idade não trazia os melhores prognósticos. Enfrentou a realidade com coragem, resignação e lucidez.

Hoje não posso negar que fui seu pupilo. Eu, aprendiz. Ele, um tutor. Mais que amigos, mais que irmãos, tínhamos uma relação de pai e filho. Um pouco desse sentimento podia ser testemunhado nas coisas que dizia sobre mim a todos e no que escrevia também. O último livro que o ajudei a editar, o "Diário de Um Bispo Emérito" (Editora Ottoni, 2006), revela um tanto disso.

Tivemos em comum o amor por Cristo e pela Igreja; a visão de mundo, de acordo com os valores do Evangelho; o dom para a comunicação em várias mídias; o bom humor dentro dos limites; a esperança de sermos agentes na construção de um mundo "mais solidário, justo e fraterno", como ele sempre gostava de enfatizar.

Costumo dizer que conviver com ele, mesmo que num curto período de 10 anos, foi determinante em minha vida. Foi um curso completo na "faculdade da vida". Dom Amaury ensinou-me a ser uma pessoa melhor, um católico mais fiel e um jornalista mais consciente. Dos muitos ensinamentos, destaco apenas três:

"Use o seu dom de comunicador para espalhar a mensagem de esperança do Evangelho às pessoas! Cristo sempre é a melhor opção e todos precisam saber disso", dizia-me sobre o modo de atuar na Imprensa.

"Seja autêntico, não tenha medo de polemizar em favor da Igreja. Com educação e sinceridade, você pode dizer qualquer coisa a qualquer pessoa, até mesmo ao Papa!", dizia-me sobre como lidar com as contradições do mundo.

"Você pode casar-se, só não se torne um solteirão! Um homem solteiro e sem perspectiva, solto pelo mundo afora, não traz nada de bom. Se for pra ficar assim, melhor que se torne um padre!", e cá estou eu na lida da caminhada vocacional...

Olavo Bilac dizia que a saudade é a "presença dos ausentes". E Mario Quintana escreveu: "Se me esqueceres, só peço uma coisa: esquece-me bem devagarinho". Completamos hoje 10 anos de saudade de Dom Amaury e vai demorar para que as tantas pessoas que o admiravam esqueçam-se completamente dele.

Amém.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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