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Publicado: Sexta-feira, 18 de julho de 2008

Ditadura no Cinema em Itu

Depois de receber inúmeras queixas de amigos e conhecidos, reparei que há meses o cinema localizado no Itu Plaza Shopping não trazia mais versões legendadas dos filmes em cartaz. Eu mesmo estava insatisfeito, pois tive que ir assistir “O Homem de Ferro” no cinema de Indaiatuba, porque em Itu só havia a versão dublada.
 
Certa tarde, movido pela curiosidade, procurei a responsável pelo cinema do shopping ituano. Queria saber o motivo de só haver filmes dublados nos últimos três meses, pelo menos. Ela respondeu-me que não era ninguém dali que escolhia o que entrava em cartaz. A responsável seria a distribuidora dos filmes, a Cinematográfica Araújo.
 
Empresa familiar, a Cinematográfica Araújo existe desde 1926, conforme informações encontradas em seu site (www.cinearaujo.com.br). Com sede em Botucatu (SP), tem cinemas distribuídos em quatro Estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, atuando em 19 cidades. No total, toma conta da programação de filmes em 80 salas, entre as quais as três existentes em Itu. Trata-se da “terceira maior rede de cinemas” no Brasil, “responsável por inaugurar salas modernas no estilo multiplex e stadium”.
 
Por sugestão da responsável pelo cinema no Itu Plaza Shopping, liguei na sede da empresa, em Botucatu. Disse à simpática Talita que desejava falar com a Luciana, encarregada do atendimento. Porém, como a moça encontrava-se em uma reunião, recebi outra sugestão: encaminhar minhas perguntas por e-mail. Foi o que fiz. E não satisfeito com as respostas enviadas, partilho com os leitores a minha indignação.
 
Perguntei à Cinematográfica Araújo: qual o critério adotado para colocarem em cartaz filmes dublados ou legendados? Por qual razão, nos últimos meses, os lançamentos no cinema de Itu chegam apenas na versão dublada? A empresa não tem receio de desagradar o público que prefere a versão legendada dos filmes, com o áudio original? Entre as salas administradas pela empresa, qual a importância do cinema ituano, a média de público e sua faixa etária?
 
Luciana respondeu-me que o critério para escolher entre as estréias dubladas e legendadas era “de acordo com filmes anteriores que foram exibidos”, tendo a Cinematográfica verificado que “o resultado de D (dublado) foi muito superior a L (legendado)”. Entretanto, a empresa não informou o tamanho da alegada superioridade...
 
Luciana afirmou que “não temos como exibir duas cópias (D e L)”, pois há “muitos lançamentos na mesma data e, como a grande maioria prefere dublado...”. Porém, a empresa não informou, novamente, o número da pretensa “grande maioria”.
 
Sobre as queixas dos ituanos que preferem os filmes legendados, espantem-se comigo! Luciana respondeu-me: “não temos como agradar a todos, sendo que temos que escolher uma ou outra (D ou L), ou deixar de exibir todos os lançamentos”. Ou seja, deixou-se de lado o ditado: “o freguês tem sempre a razão”, máxima do bom atendimento aos clientes. E ainda por cima, apareceram com uma chantagem: ou a versão que temos, ou nada!
 
E a importância do cinema de Itu para a Cinematográfica Araújo? Respondeu-me Luciana: “A cidade de Itu é muito importante para o Grupo Araújo. A média de público e a faixa etária, não tenho esses dados”. Ou seja: o cinema ituano é tão importante para a empresa, que a mesma sequer tem dados disponíveis sobre quem o freqüenta! O que não deixa de ser contraditório, pois se não tem dados sobre o público que vai ao cinema em Itu, como pode afirmar que a “grande maioria” prefere a versão dublada?
 
Em resumo, no que diz respeito ao cinema do Plaza Shopping, estamos em uma ditadura. O público não tem opção. Quem gosta de ver filmes dublados, ótimo. Quem não gosta, que se conforme ou vá para os shoppings de Indaiatuba, Sorocaba, Campinas ou São Paulo. Assim é que se trata a chamada “minoria” que prefere os filmes legendados, com as vozes originais dos atores.
 
Assistir em versão dublada a “Kung Fu Panda” ou “Wall-e”, filmes claramente destinados ao público infantil, é compreensível. Mas filmes como “Hancock”, “Agente 86” e “Hulk”, destinados também aos adolescentes e adultos, devem oferecer a opção legendada. Quando tive que ir a Indaiatuba para ver “O Homem de Ferro” em versão legendada, percebi que o cinema exibia o filme quatro vezes ao dia: duas na versão legendada e duas na versão dublada. Ou seja, lá o serviço é feito corretamente: oferece-se ao público uma opção. Em Itu, não temos opção. O único cinema da cidade decide o que os ituanos irão assistir...
 
Faço uma convocação aos que, igual a mim, preferem os filmes legendados. E além disso, conclamo o público ituano para que acabemos com a ditadura e a falta de opção, coisa de país tupiniquim, de terceiro mundo no que se refere ao setor de serviços. Eu moro aqui, trabalho aqui e quero ver os filmes aqui. Não quero ter que ir para Sorocaba, Indaiatuba, Campinas e além para ir a um cinema decente...
 
Se você também é a favor de um melhor tratamento para o público ituano ou se prefere a versão legendada dos filmes, envie um e-mail para a Cinematográfica Araújo. Manifeste-se! Deixe bem claro que, não é porque a “maioria” prefere versões dubladas, que nós da “minoria” devemos sofrer com isso.
 
O e-mail da Luciana é: luciana.cinearaujo@terra.com.br.
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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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