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Publicado: Quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Desculpe o Transtorno, Preciso Falar de Eleições

Crédito: Internet Desculpe o Transtorno, Preciso Falar de Eleições
Para votar consciente é necessário fazer a lição de casa.

Sei que muitos andam descrentes em relação à Política, com o nosso sistema, nossos partidos e com algumas de nossas instituições. Aproximam-se novas eleições municipais e tal desânimo não pode nos influenciar. A democracia em que vivemos ainda engatinha. É imperfeita, cheia de contradições. Mas o melhor modo de melhorá-la ainda é participando do processo.

Votar não pode mais ser algo leviano, que se faz de qualquer jeito. É preciso derrubar a mentalidade tosca de quem vende o voto, de quem espera favores após votar, de quem faz barganha com a urna. É preciso votar direito e isso dá trabalho. É necessário pesquisar: a ideologia dos partidos, a vida dos candidatos e suas idéias, a atuação dos que tentam reeleição, etc.

Não há desculpas para o voto inconsciente. Os meios de comunicação social, principalmente a internet e as redes sociais, suprem qualquer necessidade de informação do eleitor. Não bastasse isso, vários órgãos públicos e organizações não-governamentais produzem material impresso e digital com orientações várias.

Cada cidadão deve votar com liberdade de consciência, algo íntimo, individual e particular. Esse direito é inalienável. Mas todos temos a obrigação de votar conscientemente e de modo responsável. É algo que devemos para a sociedade e para sua verdadeira evolução.

Sou cristão católico, assim como milhões de pessoas Brasil afora. Tenho, assim como meus irmãos e irmãs de fé, critérios próprios para votar, baseados na Doutrina Social da Igreja. Ela nos dá liberdade ampla e irrestrita para decidir o voto. Porém, quem é mesmo parte da Igreja sabe votar levando em conta os valores próprios da religião.

Eu faço minha lição de casa: sei das ideologias partidárias; investigo a trajetória política dos candidatos (no passado e no presente); não voto em partidos com clara inclinação comunista (socialista) porque são nitidamente contra a liberdade e a democracia; não voto em candidatos ficha-suja, que sejam favoráveis ou omissos em relação a temas importantes como aborto e ideologia de gênero; não voto em aventureiros; não faço voto de "protesto"; não voto em quem deseja mandato apenas para se dar bem na vida.

Dentro das minhas escolhas, pessoais e intransferíveis, também não sou obrigado a votar em quem não quero. Nada, nada mesmo, obriga-me a votar no candidato "menos pior", como se diz. Não nivelo por baixo. Não voto em quem não conheço e não voto em quem não confio. Não voto em gente despreparada. Não voto em ninguém se não há candidato que me represente, que me respeite enquanto eleitor e que me dê satisfação quando procuro saber de sua atuação política.

Desejo a todos um bom encontro com as urnas. Que as eleições possam transcorrer de forma pacífica e honesta, para o bem da nossa sociedade e para que a nossa democracia continue evoluindo.

Amém.

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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é sacerdote católico apostólico romano e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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