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Publicado: Quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Delcídio: O Caso, O Caos, Ocaso

Crédito: Internet Delcídio: O Caso, O Caos, Ocaso
O ocaso das lideranças é notório. Que vão todos chupar pirulito em casa!

Não preciso repisar as informações sobre o caso Delcídio, deflagrado neste 25 de novembro, dia de Santa Catarina de Alexandria. Todos sabemos que este artigo se refere ao escândalo envolvendo a prisão do matogrossense Delcídio do Amaral, líder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Senado Federal. A primeira vez, na história da República, que um Senador em pleno exercício de mandato é encarcerado em flagrante por obstrução da Justiça, na tentativa de aliciar a testemunha chamada Nestor Cerveró.

Delcídio tem mais de 20 anos na política. Já foi Ministro de Itamar Franco e depois tornou-se tucano do PSDB. Debandou para o PT em 2002, elegendo-se Senador. E ganhou muita projeção ao presidir a CPMI dos Correios, que expôs a chaga do Mensalão. Por isso mesmo, passou uma imagem de seriedade e isenção.

O senador encarcerado deixou-se levar por uma onde de caos que reina na política nacional e que coincide, sem sombra de dúvidas, com a ascensão do PT ao poder. Não que o PSDB e seus governantes possam ser canonizados. Mas, a partir da Era Lula, passada a ressaca de alegria ao ver um "operário" no posto mais alto da República, passado o efeito marqueteiro do Fome Zero e da Bolsa Família, o que tivemos foram os maiores escândalos de corrupção não apenas do Brasil, mas de todo o mundo. Não é exagero. Analistas políticos de todo o planeta corroboram essa informação.

A política nacional está o caos. Não há mais ordem de verdade. Há um teatro institucional em voga. Os maiores mandatários do país estão imersos em lama mais tóxica que a de Mariana (MG) porque fazem mal a todo o Brasil. Na Câmara Federal, no Senado, na Presidência da República, os líderes estão notoriamente envolvidos em casos de corrupção, em maracutaias mais que suspeitas e negociatas que a Operação Lava Jato (o certo seria Lava-a-Jato) está revelando a cada semana que passa.

Não é só Delcídio que entra em seu ocaso. Não é só o Partido dos Trabalhadores, que não é (algumas vez foi?) digno de carregar esse nome representativo da gente que trabalha de verdade no Brasil. As lideranças estão sem credibilidade e, logo, sem representatividade. Se o Senado Federal votar pela liberação do senador encarcerado, será o começo do fim.

É muito difícil, porém, isso acontecer. Meus contatos em Brasília (DF) estão todos estarrecidos. No Executivo, no Legislativo, no Judiciário. No Ministério Público, na Polícia Federal, no Supremo Tribunal. A insatisfação e má surpresa é unânime: chegamos ao limite (será?). Em se tratando de escândalos já estamos mais que mal acostumados, infelizmente.

Com essa novidade estamos chegando quase ao fim do primeiro aninho do mandato apelidado de "Dilma 2". Será que agüentaremos mais três doses cavalares de escândalos similares? Até quando a economia nacional e a credibilidade institucional do Brasil terá que se submeter aos mandos e desmandos de alguns que se julgam além da Lei?

O nome Delcício tem origem no latim e significa "cheio de doçura". Na minha modesta opinião essa turma formada por Delcídio & Cia Petista, a Presidente Dilma, o Senador Renan, o Deputado Cunha e seus asseclas, deveria seguir o conselho do Marco Aurélio Mello (Ministro do Supremo Tribunal Federal): renunciar coletivamente, em nome da dignidade que ainda resta, indo pra casa pra chupar pirulito ad aeternum.

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Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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