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Publicado: Sábado, 8 de novembro de 2008

De Colores!

Imagine 43 homens partilhando um mesmo ambiente durante três dias. Com faixa etária entre 30 e 70 anos, dividem os mesmos quartos, banheiros e refeições. Gente de todas as classes sociais e qualificações profissionais: marceneiro, tecelão, pedreiro, contador, jornalista, administrador, advogado, etc. Pessoas de realidades e histórias muito diferentes umas das outras.
 
Parece o programa Big Brother? Ledo engano. Trata-se da edição nº 191 do encontro masculino do Movimento de Cursilhos de Cristandade (MCC), do qual participei entre os dias 16 e 19 de outubro deste ano, na Casa Mater Dei, em Campo Limpo Paulista. Por qual motivo falar dele agora, passadas várias semanas? Porque é uma experiência revigorante e animadora. Se eu passasse minha impressões para o papel, nos dias seguintes ao encontro, certamente teria problemas com o excesso de linhas.
 
Ao encerrar os seus relatos, um dos evangelistas alertou: Jesus fez essas e muitas outras coisas, não haveria livros suficientes no mundo para relatar todas as maravilhas realizadas pelo Cristo dois mil anos atrás. Do mesmo modo, não seria com apenas um artigo que eu conseguiria contar tudo o que se passa em três dias de Cursilho, as vivências partilhadas e os sentimentos consoladores que os momentos de espiritualidade proporcionaram.
 
Os chamados "encontros com Cristo", organizados por vários Movimentos de Igreja, costumam ser divisores de água na vida dos que deles participam seriamente. Uns sequer tiveram contato com o cristianismo, descobrem-no e iniciam sua caminhada. Outros conheceram Jesus na infância e adolescência, deixando a fé arrefecer e redescobrindo-a. Há ainda os que, já com uma fé viva e praticante, recarregam suas energias e reforçam sua disposição em seguir Jesus e seus ensinamentos.
 
Seja qual for a história pessoal de cada um, participar de um retiro espiritual é bom por motivos até mesmo além da espiritualidade. Trata-se também de uma pausa na correria do cotidiano. Para pensar é necessário ter tempo de refletir. E nada melhor do que ver e julgar os problemas na paz de um ambiente propício ao silêncio, no qual procuramos ouvir a voz de Deus para agir da melhor maneira para nossas vidas.
 
Os leitores e leitoras sabem que não sou um inexperiente na fé, o que não significa que eu possa contar vantagem sobre alguém. Entretanto, ao participar do Cursilho recordei sensações há tempos adormecidas no que tange à espiritualidade. A conversão pessoal, assunto de um artigo próximo, é necessária para todos. Tanto faz se a pessoa está há dois ou 20 anos caminhando na Igreja, converter-se é uma prerrogativa para cada dia.
 
O primeiro encontro com Cristo do qual participei foi organizado pela Paróquia de Nossa Senhora da Candelária. Corria o ano de 1993 e até então não conhecia mais de Jesus além do que tinha visto na Bíblia ilustrada. Inicialmente não pareceu significar tanta coisa, mas aos poucos o Senhor foi traçando os rumos da minha vida de uma forma que eu nunca imaginaria. Foi determinante tal experiência na adolescência, resultando na pessoa que sou hoje.
 
Da mesma forma, minha esperança é que a participação no Cursilho resulte em algo benéfico para o meu futuro. Particularmente, coloquei nas mãos de Deus uma série de dúvidas e angústias quanto a vários problemas e dilemas da minha vida atual. Nos momentos de quietude, refletindo à luz da Palavra de Deus, recebi do Senhor a resposta de que encontraremos juntos o melhor caminho para a solução efetiva de meus dramas. Não há nada mais reconfortante do que saber que Jesus também olha com apreensão para as complicações das nossas vidas.
 
Essa aproximação pessoal com o Filho de Deus nos enche de coragem e continua nos motivando. A esperança ganha um novo peso, torna-se uma âncora em meio às tempestades. A fé deixa de ser um substantivo abstrato e volta a ser realidade concreta em todas as situações do cotidiano. A caridade deixa de ser simples promoção social e adquire uma prática de amor aos que sofrem.
 
Após a experiência do Cursilho, só posso dizer que minha vida e a dos amigos cursilhistas perdeu a aparência acinzentada que a fuligem do tempo nos infringe. O Espírito Santo nos abençoou e deu novo colorido às nossas vidas. Verdadeiramente alegres, podemos dizer: DE COLORES!
 
Amém.
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Visão de Mundo

Salathiel de Souza

Salathiel de Souza

Jornalista, professor e teólogo, iniciou carreira em 1996. Membro da Academia Ituana de Letras, é diácono transitório na Diocese de Jundiaí (SP) e autor de "Tudo Pela Missão! - Minha Experiência Missionária em Roraima".

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