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Publicado: Terça-feira, 14 de junho de 2005

Cultura viva em Itu - resgatando nossa memória

Estamos na metade da programação do nosso XI Festival de Artes, que tem trazido inúmeras opções culturais para a nossa cidade. Itu foi uma das cidades escolhidas pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para ser cenário de um festival desse porte, porque tem muito que oferecer em termos de história e tradição cultural.
Lendo uma entrevista do Maestro Luis Roberto de Francisco, regente do Coral Vozes de Itu, acordei para a importância da música como registro da história. Luis nos conta que Itu tem duas gerações de compositores extremamente expressivas, uma na passagem do século XVIII para o XIX, com destaque para o Pe. Jesuíno do Monte Carmelo e a outra na segunda metade do século XIX, com Elias Lobo e os Mariano da Costa (Tristão e José). Suas obras engrandecem a nossa história e nos coloca em destaque no cenário da música brasileira. Mas é importante ressaltar que a valorização dessa cultura depende de pessoas. Por muitos anos, as obras escritas por Elias Lobo ficaram esquecidas em Itu. Luis Roberto, em contato com o sr. Eliseu Belculfiné, antigo músico da Banda União dos Artistas (também ituana), encontrou uma partitura original de Elias Lobo, escrita em 1867. Eles a restauraram e apresentaram na Semana Santa de 1995. Foi um sucesso! Desde essa época o maestro, junto com Evandro Correia, atual monge beneditino em Roma e Vinícius Gavioli têm recuperado muitas obras, sempre apresentadas pelas "Vozes de Itu". Atualmente, cerca de duas dezenas de composições já foram reescritas e apresentadas pelo Coral Vozes de Itu.
Estas ações nos mostram que não importa apenas ter algo de qualidade. Se não tivermos um olhar que valorize e uma atitude de preservação e respeito, a qualidade pode se perder, sem que ninguém fique sabendo. Quantas personalidades da arte e da ciência morreram ser qualquer reconhecimento digno, porque a sociedade não estava preparada para ver e compreender?
O trabalho de recuperação de partituras de compositores ituanos, que começou em 1992, na gestão da Profa. Maria de Lourdes Sioli como Secretária de Cultura de Itu, foi uma árdua e gratificante tarefa executada por uma equipe composta pelo Prof. Marcos Júlio Sergl e pelos músicos ituanos Carmen Selma Santoro, Evandro Correia e maestro Luis Roberto. A importância dessa tarefa é, em primeiro lugar, cuidar de um patrimônio da cultura ituana que, enquanto tal, contribui para enriquecer os laços da sociedade local com sua própria identidade. "A comunidade ituana se sente protegida, enobrecida, valorizada quando tem a oportunidade de ouvir aquilo que seus pais, avós e bisavós ouviam, o que os emocionava, o que os enlevava, o que ajudava a sua meditação e ligação com o sagrado e com a cultura em geral. Quando a recuperação e a interpretação se fazem pelas Vozes de Itu então o envolvimento é maior ainda", diz Luis Roberto.
Eu trouxe essa história que me fez refletir sobre a importância de ter pessoas que tenham esse olhar interessado e generoso, na busca incansável de perpetuar a história, sua cultura e seus ensinamentos.
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