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Publicado: Sábado, 2 de março de 2013

Cuidado e atenção com a verba da educação

Cuidado e atenção com a verba da educação
Penso que a verba da educação precisa de atenção e cuidados redobrados

Tenho percebido, nas visitas técnicas às secretarias municipais da educação, a falta de atenção e cuidado com a aplicação da verba destinada à educação pública.

Garantida por lei e com intenção estratégica de gerar avanços nos resultados de aprendizagem dos alunos, sabemos todos que a verba destinada à Educação é bastante significativa, se comparada às demais áreas públicas.  Ainda bem.  Melhorar a qualidade da educação básica é hoje o maior e mais importante desafio do país no campo das políticas sociais.

O problema é o impacto que essa verba tem causado no mercado.  De olho na maior fatia do bolo, ou do queijo, empresários espertalhões criam e vendem ilusões aos gestores inocentes e desejosos do destaque político que um bom avanço nos resultados educacionais pode render.

Contratos milionários, muito bem amarrados legalmente, têm levado a verba da educação para bem longe da sua real finalidade.  Além de levar dinheiro, essas empresas levam, também, a auto-estima e a capacidade intelectual dos educadores locais. 

Como assim? Vou explicar.

Para justificar valores, muitas dessas empresas entregam além do produto - que variam desde apostilas até equipamentos de alta tecnologia -, metodologias enlatadas, num passo a passo medíocre, dizendo ao professor o que ele deve fazer e replicar na sua sala de aula.   Eu sei que para muitas realidades, onde os professores ainda são leigos, essa saída, por algum tempo, poderia gerar algum resultado (sinceramente: ainda assim, ouso duvidar!).  Mas frequentemente, o significado desse gesto é altamente desastroso, porque diz, entrelinhas, que o professor local não é capaz de criar, pensar e aplicar estratégias de aprendizagem aos seus alunos.

Precisamos tomar cuidado com fórmulas prontas  que prometem resultados na aprendizagem. Todo bom educador sabe o que, verdadeiramente, melhora a qualidade da educação brasileira: boa formação de professores, condições dignas de trabalho, salários adequados, ambiente estruturado e capacidade de gestão democrática das lideranças.

Todo o resto é pretexto. Lousa digital, kit sustentabilidade,  metodologia importada, material apostilado e demais recursos são bem-vindos e  podem ajudar, mas não garantem desempenho de aprendizagem, se à frente da sala de aula o professor não estiver bem formado e preparado.  

Por isso, penso que a verba da educação precisa de atenção e cuidados redobrados. Não sou contra parcerias adequadas e bem planejadas às liderenças educacionais.  Aliás, elas são necessárias: contar com outros pontos de vistas,  saberes e competências é  fundamental para quem deseja acertar na difícil missão gestora.    

Mas tudo isso deve ser personalizado.  Parceiros, consultores e assessores precisam pensar e elaborar COM a secretaria da educação soluções possíveis e contextualizadas ao que se pretende; respeitando a identidade, a história e, principalmente, a capacidade intelectual local.

Sem esse cuidado, gasta-se muito dinheiro, enriquece alguns empresários e pouco desempenho produz na aprendizagem dos nossos meninos.    

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Conversas Entrelinhas

Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

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