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Publicado: Quinta-feira, 5 de julho de 2018

Conversando sobre humanização do nascimento

Crédito: Francine Pires Conversando sobre humanização do nascimento

Navegando na rede social, com intuito de encontrar diversão e informações sobre acontecimentos diversos, me deparei com uma postagem criticando o movimento de parto humanizado. Imediatamente resolvi ler os argumentos da postagem e fiquei surpreso com as ideias surreais e agressivas descritas. Ao término da leitura fui comentar o texto que acabara de me deparar, para minha surpresa existiam comentários mais assustadores do que a postagem (não escreverei aqui para não assusta-los).


Então para nota de esclarecimento, acredito ser importante explicar sucintamente a ideia da humanização do parto, visto que, a diversidade de críticas sobre a humanização encontrada no post e em outros espaços me faz refletir, que possivelmente algumas pessoas desconhecem a ideia de humanização.


Inicialmente, não se entende o parto humanizado como: uma posição de parto ou “modalidade de parir”, não é parir no mato ou na água, não é contratar uma parteira ou uma equipe médica, não é tomar medicamentos farmacêuticos ou chá natural, etc. Esses elementos descritos acima podem estar presentes no processo de humanização, mas não é a definição correta. A humanização do parto é um conjunto de ideias e práticas que tem como um dos eixos principais respeitar as escolhas feitas pela mulher e informar as gestantes e companheiros (a) sobre os processos dos períodos relacionados com a gestação, parto e pós-parto através de evidências científicas. Entretanto, ultimamente, observa-se outra crescente, ou seja, a gravidez, parto e puerpério estão se tornando algo industrializado, um comércio que não respeita as gestantes, gerando sofrimentos para a mãe, pai, bebê, familiares e sociedade.


Desta forma, pode-se fazer uma síntese da ideia de humanização, da seguinte forma, a humanização do nascimento está diretamente relacionada em respeitar a fisiologia humana e acreditar que a mulher é capaz de gerar e parir seu filho (a), sendo necessário o acompanhamento de profissionais para minimizar possíveis intercorrências e esclarecer dúvidas existentes no período gestacional. Humanizar é compreender e respeitar os desejos da mulher, a cultura a qual ela pertence, suas escolhas, sentimentos, etc. Humanizar é informar com bases científicas (nunca achismo!) a mãe e companheiro, mostrando as opções existentes, resultando em escolhas conscientes, reduzindo o máximo de possíveis danos. Em outras palavras, humanizar é devolver o protagonismo do parto para a mulher!


Portanto, a humanização está diretamente relacionada em transformar de maneira positiva o nascimento, modificando assim, toda uma sociedade e preparando-a para a chegada de uma vida. Lutando para quebrar com as ideias retrógadas que faz inúmeras mulheres e bebês vitimas de um sistema hostil e cruel, trazendo uma proposta respeitosa que promoverá qualidade de vida para todos os sujeitos envolvidos com o nascimento. E para finalizar a reflexão em torno da temática em questão, citarei a frase de Michel Odent, que diz: "Para mudar o mundo primeiro é preciso mudar a forma de nascer." 
 

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Maternidade & Paternidade

Diego Henrique Perez

Diego Henrique Perez

Formado em Psicologia pelo CEUNSP com pós-graduação em Psicologia Clínica em Saúde Reprodutiva da Mulher e Hospitalar pela UNICAMP. Educador Perinatal pelo GAMA e colaborador do grupo GAIA. Dedica-se a grupos de patern/matern, atendimentos em psicoterapia

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