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Publicado: Quarta-feira, 30 de maio de 2018

Conversando sobre amamentação

Crédito: Francine Pires Conversando sobre amamentação

Em pleno século XXI, com todos os avanços tecnológicos e desenvolvimentos sociais que conquistamos, com a quantidade de informação disponibilizada pela internet, ainda existem diversas dificuldades em compreender e respeitar algumas etapas do desenvolvimento humano, como por exemplo, a amamentação. Temática que vem sendo discutida com veemência na atualidade, sempre com argumentos que tem o intuito de apresentar os benefícios que a amamentação tem para a mãe e o bebê ou infelizmente mitos que prejudicam o aleitamento materno.

Para iniciarmos a conversa, é importante entendermos que amamentar é algo biopsicossocial, ou seja, são multifatores que influenciam o aleitamento. Fisiologicamente a mulher pode estar preparada para amamentar, porém questões emocionais, econômicas, profissionais, afetivas, alimentares etc; podem influenciar diretamente de maneira positiva e/ou negativa nessa etapa da vida materna. Não é correto afirmar que a amamentação é algo inato no mundo feminino ou um “poder mágico” adormecido, que no momento em que o filho nascer, imediatamente, a mãe saberá utilizar esse “dom divinal”. A ideia errônea de que toda mulher automaticamente conseguirá amamentar, colabora para o sofrimento materno, pois algumas mães que não “conseguem” ativar seu “poder” podem se culpabilizar, possivelmente sofrendo e provocando o desmame precoce. Desta forma, é importante frisar, amamentação é algo natural da mulher, visto que, na maioria dos casos, fisiologicamente o corpo tem “ferramentas” que preparam a mãe para essa etapa. Entretanto, também é algo aprendido, e aos poucos mãe e filho (a) conhecem e desfrutam da amamentação, enfrentando possíveis dificuldades e apreciando cada conquista.

Poderia destacar diversos benefícios do aleitamento materno encontrados nos estudos científicos, mas destacarei um dos pontos que considero de grande valia, sendo ele a construção do vínculo mãe/bebê. Sucintamente, entende-se como vínculo uma relação emocional e afetiva entre os indivíduos que ocorrem de maneira gradativa, como por exemplo, o relacionamento paterno e materno com o filho. Desta forma, o vínculo materno pode se constituir a partir do período gestacional, ou seja, quando a mulher descobre que está grávida. Aos poucos ela se familiariza com o novo ser que esta em formação dentro de si, aprendendo a se relacionar afetivamente e após o nascimento, o vínculo pode aumentar durante a amamentação. Por esse e outros motivos, que incentivar o aleitamento materno e entender sobre essa temática se faz necessário.

Algumas dicas podem facilitar os primeiros passos para a amamentação, sendo elas: colocar o bebê junto a mãe imediatamente após o nascimento, respeitar as escolhas materna, apoiar (e não cobrar!) as mulheres nas dificuldades que possam surgir, buscar informações desde o período gestacional, incentivar as mães, pedir ajuda para profissionais que trabalham com a amamentação, entre outros.

Portanto, é fundamental refletirmos que diversos fatores podem auxiliar e/ou prejudicar o processo da amamentação. É necessário que, nós, enquanto sociedade, respeitemos as escolhas e sentimentos maternos durante esse período, entendendo que cada mãe e bebê descobrirão juntos o melhor para ambos. Somente dessa forma, propiciaremos um ambiente favorável e acolhedor que incentive de fato o aleitamento materno.
 

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Maternidade & Paternidade

Diego Henrique Perez

Diego Henrique Perez

Formado em Psicologia pelo CEUNSP com pós-graduação em Psicologia Clínica em Saúde Reprodutiva da Mulher e Hospitalar pela UNICAMP. Educador Perinatal pelo GAMA e colaborador do grupo GAIA. Dedica-se a grupos de patern/matern, atendimentos em psicoterapia

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