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Publicado: Domingo, 24 de abril de 2011

Conversa, reflexão e alma leve

Conversa, reflexão e alma leve
O professor faz a diferença!

Depois de Ribeirão Preto, Brasília, Maringá, São José do Rio Preto, Bauru, Presidente Prudente, Uberlândia, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre finalmente voltei pra casa.  Sentir o cheiro da intimidade e reconhecer a história pessoal decorando os ambientes do lugar onde moro me faz feliz. E segura.  

As viagens a trabalho são necessárias, fazem parte do projeto “O professor faz a diferença”, promovido pela Mind Lab Brasil, que abracei com fé e esperança na Educação Brasileira. 

No total serão 27 municípios percorridos, mas antes mesmo de completar a primeira rodada já posso anunciar que a mediação do professor no aprendizado do aluno tem revelado histórias de sucesso e práticas exitosas. 

Por isso sinto-me inspirada a escrever. Acredito, como Saramago, que por mais que as palavras não saibam reconhecer e comunicar tudo quanto é humanamente experimentável e sensível, elas precisam ser ditas.  

Embora tenhamos ainda muito a fazer, a construção de uma nova escola começa a mostrar a sua cara. Os esforços dos professores conscientes, com alma de educador, têm feito a diferença. Pesquisas de estudos de casos vêm mostrando que ações individuais estão transformando o cenário e possibilitando a concretude de um sonho tão antigo. 

Paulo Freire conta, em um dos seus livros, que grande parte da sua história foi pautada pelo gesto de um professor na sua adolescência. Sentindo-se incomodado e rejeitado por estar gordinho e fora do padrão, acreditou que a sua vida seria uma grande derrota até o dia em que foi elogiado publicamente, por um professor, em sala de aula. Daquele dia em diante recuperou a estima e se fez Paulo Freire.   

É claro que o inverso também é verdadeiro e que muitas estimas são dilaceradas em sala de aula. Não é à-toa que a concepção da educação humanizadora tem falado mais alto. Enquanto não mudamos o sistema, temos muito espaço na esfera individual, possibilitando inclusive salvar algumas vidas. A escola tem que ser a consciência da humanidade e impulsora da sua humanização. 

E antes que a patrulha venha colocar palavras na minha boca, reforço com todas as letras que escola humanizadora não é sinônimo de escola boazinha e permissiva, como pensam alguns. Ao contrário.  Escola humanizadora quer dizer escola capaz; centrada na aprendizagem dos alunos; com gestão por fatos e dados; recheada de processos de melhoramento contínuo e professores mediadores. 

E tudo isso demanda bem mais do que só bondade e permissividade, não é verdade?  

Gosto de uma história contada pelo Professor Marcos Méier da época em que era Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, de uma escola particular, em Curitiba. Ao receber um aluno do Chile no intercâmbio estudantil e orgulhoso da excelência do seu corpo docente, perguntou ao chileno o que ele achava dos professores. A resposta do garoto lhe fez repensar a escola e a sua atuação como educador: “Os professores são ótimos, as aulas são como um show, mas não dá tempo de aprender...”     

A boa notícia, comprovada nas minhas andanças, é que a união de professores preparados, voltados para a aprendizagem dos alunos, usuários de métodos inteligentes, sérios, afetivos e humanizados tem conseguido calar a voz dos que insistem na escola punitiva, centrada no professor, arrogante e equivocada.  

Afinal, como já disse Leonardo Boff, “se não podemos mudar o mundo, poderemos, então, mudar um pedaço de mundo que é a gente mesmo”.

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Conversas Entrelinhas

Mércia Falcini

Mércia Falcini

Psicopedagoga com Especialização em Formação de Professores e Sistema de Gestão. Atualmente é Diretora da Consultoria e Assessoria Saberes, Membro Fundador da Academia Saltense de Letras e colunista do site Itu.com.br.

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